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Preciso escrever para não pirar.

Era com essa frase que eu começava minhas narrativas quando era adolescente. Amava escrever. Tinha agendas, daquelas bem gordas, tinha uns cadernos de 10 matérias em que eu escrevia sobre o que estava sentindo, como estava sentindo, se estava sentindo alguma coisa sobre algum fato que se passara na minha vida.

Hoje, dez anos depois, a frase ainda me serve bem. Preciso escrever para não pirar. Preciso escrever para proceder àquela faxina diária nos meus pensamentos e idéias para que estes não fiquem vagando na minha cabeça num ir e vir sem destino.

Ao colocar o que sentimos e o que pensamos no papel (seja ele celulose ou cristal líquido), a cabeça e o coração ficam mais leves.

É mais fácil organizar o que se passa dentro da gente quando verbalizamos isso que se passa. Só que verbalizar, apesar de bom, são palavras ao vento. Às vezes, escrever se revela tática mais eficaz.

Escrevemos sobre o que nos agrada, para lembrarmos mais tarde e nos agradarmos de novo.

Escrevemos também sobre o que nos aflige, fazendo a conhecida terapia do papel, que funciona. Funciona. É como se extirpássemos os problemas, arrancando-os pra fora de nosso cérebro e, uma vez colocados no papel, eles ficam ali, na nossa frente, olhando pra gente. E a gente olhando pra eles, de fora, quase que como terceiros imparciais, quase que perguntando para os problemas:

-- "Qualé, meu filho? Qualé a sua? Tá a fim de embarreirar a minha vida?"

Só que ele não responde. Ele não responde qual é a dele. Isso é exercício pra gente fazer. Em casa, na rua, no trabalho.

É exercício de constatação do que, hoje, nos incomoda. E, uma vez constatada qual é a pedra no sapato, o exercício se transforma, passa para uma segunda etapa: sermos gente grande e corajosa para enfiarmos o dedo no sapato e arrancarmos esta pedra que nos impede de caminhar sorrindo, com satisfação. Não é fácil. Não vem sendo fácil. Eu pensei que fosse mais fácil.

Falar é fácil. Constatar em qual canto do sapato se aloja essa pedrinha impertinente também pode não ser tão difícil. Difícil mesmo é a parte que exige coragem, atitude, coisa que até então eu achava que tinha sobrando. Mas eu tinha. Tinha não, tenho. Cadê?

Se acharem minha força de vontade, minha coragem, minha atitude, rastejando por aí, por favor, recolham-nas e me devolvam. Por sedex, preciso delas com certa urgência.

Grata, a gerência.
por Juliana Jacyntho, em 6/29/2004 07:00:27 PM





Por Tia Lídia*

"Estava eu caminhando pelo Jardim da Saudade, onde acontecia o enterro de um ex-colega de trabalho do Zé Humberto.

Me chamou a atenção a presença de uma senhorinha na casa dos seus trinta e cinco anos, presumi eu, ajoelhada junto a uma lápide que trazia a inscrição: "John Lennon Gonçalves Ribeiro. 1988-1998". Além da idade da mulher, presumi que ela seria mãe do John Lennon, cuja vida fora interrompida tão precocemente.

Não consegui permanecer no campo das presunções. Me dirigi até a moça e ao seu lado estacionei.

Ela, notando minha presença, me olhou consternada e disse:

-- "Oi, Boa tarde!" Eu, respondi.

Ela disse:

-- "Também visitando os seus?"

Eu emendei:

-- "Não, não. Estou aqui por causa do enterro de um ex-colega de trabalho do meu marido. Derrame, aos 77 anos. E você? Era seu parente?" Disse eu, me referindo à lápide de John Lennon.

-- "Sim", disse ela. "Meu segundo, dos quatro filhos que tenho"...

-- "Nossa, deve ter sido uma dor muito grande", concluí eu.

-- "E como foi, dona. Meu marido quase teve um troço. Foi nosso primeiro filho homem... meu marido deu a ele o nome de seu ídolo, o John Lennon. Chamávamos nosso filho de Leninho... Desde novinho, ele tinha problema. Era um tal de internação lá, internação cá. Vivi com ele nos braços de hospital em hospital. Bronquite, pneumonia, tudo quanto é doença de respirar... Com dez anos ele teve uma pneumonia muito forte e não aguentou. Foi pro céu esse anjo".

Eu permaneci ali, muda, diante do relato de história tão sofrida. Crianças não poderiam ser alvo de sofrimento nessa vida. Tanto adulto, tanto idoso mais forte ou mais vivido e a força do destino recaíra justamente sobre um mais fraco, sobre um menor, sobre um anjo. Nessas horas ficamos sem resposta, ficamos sem entender o sentido da vida. Mas não quis transparecer esse sentimento para aquela mãe que continuava ali, ajoelhada, na minha frente. E disse:

-- "Mas se Deus quis assim, né? Pelo menos te deixou três crianças lindas, para te proporcionarem grandes momentos de alegria!" E ela respondeu:

-- "Ah! Nem me fale, dona... são nossa grande felicidade! A mais velha, Brucilene, está com dezesseis anos, estudiosa que só vendo. O Bruce tem quatorze, adora bateria, meu marido tá até pagando ainda o instrumento... comprou em 15 vezes, sabe? De segunda mão... O caçula é o Renato, com doze anos... um doce de menino! Só tenho felicidade com meus filhos, dona. Não tenho do que me queixar".

-- "Sei", disse eu. "Mas como é mesmo o nome de seus filhos?" Perguntei eu, intrigada.

-- "Ah!" Disse ela sorrindo, já acostumada com as perguntas curiosas das pessoas ao ouvirem os nomes de seus filhos... "É tudo coisa do meu marido, sabe? Ele era muito fã do Bruce Lee, aquele lutador que fazia filmes... Queria porque queria colocar o nome do primeiro filho de Bruce Lee. Mas aí veio menina... ele não seu deu por satisfeito, chamou a menina de Brucilene. Lene. Lá em casa, a gente chama ela de Lene".

-- "Criativo o seu marido, né? E você, gostava dos nomes?"

-- "Não vou mentir pra senhora. No início não me agradava não, mas sabe como é, né? Vai contrariar marido brabo e cabeça dura... é discussão pra semana inteira! Eu aceitei. Hoje, até acho bonito."

-- É, né... mas se ele queria chamar o primeiro filho de Bruce Lee, porque o segundo, que era o primeiro homem, veio John Lennon?"

-- "Ah, isso foi porque o Leninho nasceu branquinho demais... Segundo o meu marido ele tinha mais cara de John Lennon do que de Bruce Lee", respondeu-me ela, sorrindo.

-- "Hã... entendo", disse, também sorrindo. "Mas o Bruce Lee tinha cara de Bruce Lee?", perguntei.

-- "E não é que tinha, dona? Tinha não! Tem! O menino é forte que só vendo, luta taiquendô e capoeira no centro comunitário lá do nosso bairro, é bem queimadinho de sol, e não é que o safado ainda tem os olhinho meio puxado? Meu marido até brinca dizendo que ele é filho do Seu Tetsuo, dono da lavanderia... Mas é ruim... o Bruce tem cabelo encarapinhado que nem o pai. É dele mesmo!" Disse a moça, em tom de brincadeira. "-- Que horas são aí, dona?", perguntou ela.

-- "Dez pra cinco", respondi eu. "E o Renato, o mais novo. Por que Renato?", já fui emendando...

-- "Ah! O Renato é o único lá em casa que não recebe implicância com o nome na escola....sortudo aquele ali. Mas é por causa do Renato Russo, daquele grupo de rock que fez muito sucesso... o Legião Urbana. Meu marido gosta muito das letras, vive cantando as músicas pra lá e pra cá. Daí disse que colocaria o nome do menino de Renato, em homenagem."

-- "Seu marido gosta muito de música, hein?"

-- "Ô se gosta, dona... é o tempo todo o rádio ligado lá em casa. É bom que anima, né?"

-- "É verdade".

-- "Bem, dona, se a senhora me dá licença, tenho que ir andando... Mas antes..."

Ainda ajoelhada beijou a lápide do filho, fez o sinal da cruz e se levantou.

-- "Claro", disse eu. "Obrigada pela conversa, felicidades!"

-- "Pra senhora também". E foi embora, sorrindo e acenando pra mim.

Quantas mulheres de fibra como a mãe de Brucilene, John Lennon, Bruce Lee e Renato a vida costuma ver? Muitas, presumo eu.

Só tendo muita fibra, muita força, muita vontade, muita garra, é que se consegue carregar a vida na barriga por nove meses, criá-la com todo amor e dedicação, sofrer a perda e continuar de cabeça erguida porque outras vidas te esperam em casa. Ou talvez porque apenas a sua própria vida te espera em casa e ela já é o bastante para te reerguer de um tombo que parecia fatal.

São histórias como essa que nos fazem enxergar que, às vezes, damos espaço exacerbado para queixas e problemas pequenos demais.

Como o que aconteceu comigo nessa manhã, ao discutir com Zé Humberto, que queria porque queria que eu o acompanhasse ao enterro do ex-colega de trabalho que eu sequer conhecia. Meu marido só queria minha companhia. E eu, por capricho, discutia minha ida ao tal do enterro.

Ainda bem que eu fui. Ainda bem que a vida me colocou diante daquela mulher tão humilde mas tão sábia e tão forte. Aprendi com ela nessa tarde.

Obrigada! Obrigada àquela mulher, obrigada à vida por mais um aprendizado, obrigada a meu marido, que eu amo, por ter insistido que eu o acompanhasse, vencendo minha teimosia. Obrigada a vocês por estarem lendo tudo isso agora".

* Tia Lídia é jornalista aposentada, hoje trabalha como freela escrevendo para jornais, revistas e blogs, como o Balanço. Tia Lídia é carioca e mora numa das ruas do meu cérebro.
por Juliana Jacyntho, em 6/28/2004 11:44:58 AM




Gente, abrindo uma exceção aqui no Balanço publico um texto escrito por outra pessoa, sem ser coluna nem nada... É que eu acho que merecia. Carlinha, foi um balanço mental e tanto!

De Carla para Frederico,

"Oi, Fred. Como é que vão as coisas por aí?

Você deve estar estranhando esta carta, afinal, há anos não nos falamos, quem sabe um tchauzinho ou uma sombrancelha levantada lá e cá. Eu segui minha vida e estou muito feliz. Sei que você seguiu a sua também e se encontrou, ou pelo menos parece. O problema é que, querendo ou não, nós ainda nos cruzamos. E, quando isso acontece, eu me pergunto: "Porque é tão estranho"?

Não devíamos abraçar um ao outro, contar as novidades de nossas vidas, confraternizar, enfim, externarmos o carinho que sentimos um pelo outro e que já foi outro sentimento um dia? Mas não. A indiferença se impôs tal como lei e os sorrisos, a atenção, a consideração, deram lugar a sombrancelhas levantadas com constrangimento, "como quem estivesse roubando".

Eu lamento muito. Lamento porque sei o quanto fomos amigos, antes de qualquer outra coisa. E a Carla de hoje e o Fred de hoje só têm a perder com menos um amigo pra contar, nem no catálogo de endereços do meu Outlook você está presente... é a perda do contato assinada em baixo, papel amassado e jogado na lata do lixo.

Se um mendigo qualquer tiver a sorte de revirar essa lata de lixo, peço, por favor, risque um fósforo nesse papel, assinado por mim, por você, Fred, ou sei lá por quem mais, pela vida talvez, pelos idos doze anos... e nos liberte dessa hipocrisia que domina o reencontro entre ex-amantes.

Eu gosto de você. Nos daríamos bem, hoje. Mas é uma pena que esse campo magnético positivo-positivo, negativo-negativo prepondere... nossas energias se repelem, concluo eu.

Estamos na mão desse mendigo que eu mencionei lá em cima. Há quem diga que esse mendigo e o destino são a mesma coisa, a mesma força. Eu prefiro acreditar que um dia, vamos ser donos desse destino e conduzi-lo, quem sabe para nos permitir abraçar um ao outro, de forma sincera, olhar um no olho do outro, também de forma sincera e perguntar: "E, aí? Como é que você está?" Não por protocolo, mas por querermos, de verdade, saber um da vida do outro e nos sentir contentes pelas conquistas de ambos. Nos sentir satisfeitos por poder enxergar, sem ressentimentos, que aquela pessoa cuja vida um dia participamos de forma tão ativa, hoje é feliz, sem a gente, e que a gente é feliz, sem ela. E o bonito disso tudo repousa no fato de podermos participar dessa felicidade dela, de fora, como constatação de que contribuímos para sua felicidade também, apenas pelo fato de ter participado da sua vida em algum momento da sua existência.

Era isso. Apesar do tempo, apesar do gelo, fique você sabendo que ainda pode contar comigo!

Beijo pra você,

Carla".


Três dias depois de ter recebido essa carta, Fred ligou pra Carla. Conversaram numa boa, como se conversassem com frequência.

Se encontravam no mesmo hospital, onde os dois clinicavam às quintas-feiras e nenhum sentimento estranho pairou mais no ar. Não havia mais constrangimento, como Carla disse acima.

Tudo isso depois da carta dela. Tudo isso depois que Carla, vencendo o orgulho, deixou cair a muralha da China que ela fez erguer depois que eles terminaram o noivado, há cinco anos.

Carlinha, parabéns! Seu texto foi um soco no estômago do orgulho que muitos de nós cultivamos dentro da gente.

E que nos sirva de exemplo!

Obrigada! Um beijo!
por Juliana Jacyntho, em 6/24/2004 09:35:00 AM






TEXTOS, TEXTOS!

Sexta-Feira está chegando, é dia de BMM: Balanço Mental Masculino.

Rapazes leitores do Balanço, apresentem-se! O e-mail tá lá embaixo, ó... é só escrever e me mandar!

E lembrem-se: sua identidade será mantida no mais absoluto sigilo. Só queremos saber o que anda passando nas suas cabeças (de útil, por favor, poupem-nos dos detalhes sórdidos...rs).

E aí? Anda passando alguma coisa na cabeça de vocês ou é só blank, blank, blank?

Não, não. Eu não acredito. Podem ir escrevendo um texto bem legal aí e me mandando, por favor. Até!
por Juliana Jacyntho, em 6/23/2004 04:40:18 PM






Quem viu, viu, e sabe o que estou dizendo.

Foi lindo! Falo do episódio "The One" de Sex and the City que passou na segunda, como sempre, às 10:45 da noite, no Multishow, e reprisou ontem, no mesmo canal, às 9:15 da noite. Quem viu, viu. Quem perdeu, veja no sábado à noite. Quem não tem Multishow, pode começar o ataque privé de raivinha... ou espere calmamente o DVD, que já tem lá fora. Calma, Beth, calma. Sou gente boa e vou logo adiantando sua vida. Clica aqui!

Foi um dos melhores episódios dos últimos tempos, penso eu. Fechou minha segunda com chave de ouro!

O episódio era sobre a Carrie se perguntando: "até quando vai durar essa busca pelo cara"? Que cara? Aquele cara. O cara que quando você conheceu você pensou: é ele! Ou, se você não o conheceu ainda, imagina e idealiza esse dia, imagina e idealiza como será o encontro.

As histórias paralelas das quatro personagens foram instrutivas: Charlotte que sofre um aborto espontâneo e quase se entrega à depressão mas ressurge das cinzas na festinha de Brady, linda, encorajada e de cabeça erguida, depois de ter visto no "The E! True Hollywood Story" a biografia de Elizabeth Taylor, com as aparições brilhantes da atriz, sempre depois de uma derrota na vida. Samantha que descobre um sinal de que a idade tá chegando e se desepera e tinge tudo de vermelho... momento cômico do episódio. Mas duas histórias garantiram o show:

Carrie e o russo

No meio dessa pergunta tão intrigante "até quando vai durar a busca pelo cara", aparece um artista plástico russo, interpretado por Mikhail Barishnikov (e eu não sei escrever o nome dele, mas imagino que seja assim, acho que tá faltando um ípsilon em algum lugar, mas deixa quieto), charmosérrimo, no alto dos seus... o quê, cinquenta, sessenta anos? E leva Carrie para jantar com pompa e circunstância em um restaurante russo. Eu só sei que, no fim do episódio, ele tasca-lhe um beijo e sobem os créditos... e a gente fica ali, na frente da tevê pensando, com a cara embasbacada, sorrindo sozinha: será que é agora que Carrie encontra o homem da vida dela?

Miranda, o cara perfeito e Steve

Miranda descobre que passou a vida inteira esperando pelo cara perfeito e acreditando que, no dia em que esse cara perfeito entrasse na sua vida, ela demoliria as suas barreiras e se entregaria ao relacionamento. Pois eis que aparece o cara perfeito: médico, bem-humorado, apaixonado, planejando uma vida a dois, ajudando-a a planejar a festinha de um aninho de seu filho com Steve... Numa dessas noites, o cara perfeito chega do trabalho com uma caixa de pizza e uma outra caixa em cima, anunciando que é uma surpresa pra ela, pra depois da pizza... ele recebe uma bipada do hospital e tem que sair, antes do jantar. Miranda abre a caixa surpresa e se depara com um cookie gigante com as inscrições: "Eu Te Amo!" E se desespera... Se desespera porque nos dias seguintes não consegue dizer Eu Te Amo pro namorado perfeito, nem pra ninguém, conclui ela: "Estou fadada a ser infeliz, ficar sozinha, já que não consigo amar ninguém"... E então chega o dia do aniversário de um aninho do filho, Brady, e, o ex-namorado e pai do bebê, Steve, chega com o bolo. A química entre os dois está no ar... nunca baixou. Miranda vai no quartinho onde está o bolo e começa a chorar. Steve chega no quartinho com uma vela decorada de um ano, que trouxe pro bolo, ela disfarça o choro. Chega pra ele e diz: "Eu Te Amo. Eu te amo e estraguei tudo antes, mas é você quem eu amo". E três meses depois estavam juntos novamente.

Às vezes quem pensamos ser o cara perfeito, se revela imperfeito pra nossa vida. E dói reconhecer. Mas vale a pena. E a vida segue. A gente realiza que não fazia idéia de quanta coisa boa estava guardada, esperando pela gente, apenas esperando o momento de aparecer na nossa frente. Foi o que aconteceu com Miranda.

P.S.: Pra quem não acompanha ou não gosta de Sex and The City, so, sorry! (no melhor estilo Nelito, já diria Meleu...) É que esse episódio foi realmente muito bom, eu tinha que escrever! Pra quem acompanha e adora, como eu, obrigada pela atenção. Pra quem não sabe do que se trata e quer saber, é uma série americana que conta os balanços mentais e histórias sobre a vida de quatro nova iorquinas lindas, independentes, super-hiper fashion e à procura da batida perfeita, tal como Marcelo D2. À procura da batida perfeita dos seus corações...
por Juliana Jacyntho, em 6/23/2004 02:50:35 PM




Tosco, tosco (até de baixo d'água)!

Acabo de chegar em casa.

De onde estou vindo? Da experiência mais tosca, mais hilária, que já presenciei nos últimos tempos.

E antes que ensaiem alguma especulação já vou logo dizendo: quem precisava saber, sabia aonde eu estava! Então, escutem. Digo, leiam.

Fui convidada para ir à despedida de solteira de uma amigona da faculdade. Já lhe devia o chá de panela, já que eu não estava na cidade no dia.

Estava animada com a idéia de poder reencontrar algumas das meninas da facult, já que não nos encontrávamos há tempo. Pois bem. Parti pro barzinho, que tem "Café" no nome e que é conhecido por abrigar shows de rock nos fins de semana... Café? Vai, ingênua, quebra sua cara!

Tá, fui. Mas não quebrei a cara. Abri a cara! De tanto dar risada!

Como alguém se propõe a um ridículo daqueles? Fulano, o operário. Beltrano, o cigano. Bruninho, o italiano (e dele eu lembro o nome, tamanha era a gritaria). E, para completar, Cicrano, o assassino! Com direito a arma de plástico na mão e tudo... Assassino? Só se for pra me matar de rir! Tudo uma comédia, de verdade!

Tudo bem que na defesa do pão nosso de cada dia vale "de um tudo", de acordo com os valores, princípios e moral de cada um.

Eu só sei que, no meio disso tudo, ainda tracei uma salada Caesar muito da boa, enquanto os gajos ocupavam-se do mico deles de cada dia.

Fim das contas: depois de hoje, concluí que cada um se vira como pode, de verdade. Se é necessidade ou opção é que eu não sei. Prefiro pensar que é por necessidade.
por Juliana Jacyntho, em 6/22/2004 11:35:20 PM





... Mais uma homenagem ao ex-blog em que eu escrevia convidada por minha amiga Lú. Ele se foi. Mas os posts ficaram. São poucos, mas são sinceros. E como falam de TPM, meu Deus! Esse é apenas o segundo e ela já é tema recorrente... Bem, corre o risco do tema estar presente nos demais. Mas não se aflijam! Ao todo, são apenas quatro posts... E, considerando que este já é o segundo, talvez não. Talvez os outros dois falem de outra coisa. Paciência, Jó! Deixem-me fazer essa homenagenzinha. O blog era gente boa.
por Juliana Jacyntho, em 6/21/2004 10:41:14 AM





Por Tia Lídia

"Me casei aos vinte e sete anos. Casei tarde, pra minha época. Na idade de muitas de vocês eu já estava casada, trabalhando, ajudando o Zé Humberto a pagar as contas em casa, o que muito me orgulhava e a ele também, embora quase nunca deixava transparecer, puro orgulho.

Casei-me por amor, por admiração. Algumas amigas minhas já me confidenciaram terem se casado para sair de casa, sair do âmbito de autoritarismo de seus pais. Umas já amavam o pretendente, então tratava-se de unir o útil ao agradável. Outras, aprenderam a amar o pretendente, e foram então felizes. Outras arrastaram uniões mal-sucedidas caladas, com resignação.

Mas algumas... Ah! Algumas...! Algumas aprontavam!

Lédia, minha irmã, sonhava em sair de casa. Nosso pai, militar, autoritário e conservador, só autorizaria uma de suas quatro filhas a sair de casa casada, é claro.

Sim, somos quatro. Sim, temos nomes parecidos, tara de minha mãe que buscava nossos nomes em revistas de fotonovelas, coisa que talvez não seja do tempo de vocês. Lídia, Lédia, Lúcia e Lícia. Sempre fomos muito amigas, confidentes mesmo.

Numas dessas tardes, quando voltávamos do conservatório onde estudávamos piano, Lédia me confessou seu plano: iria se casar com Carlos Renato, nosso primo distante, lá pelo quarto grau, e que ele iria naquela noite à nossa casa pedir a mão dela a papai. Eles sequer namoravam! Eu me lembro de ter tentado demovê-la de idéia tão infundada na época, mas ela parecia decidida: aos vinte e um anos sairia de casa e se a única forma de fazê-lo era casando-se, que assim fosse feito!

Seu plano, me contava ela, era casar-se com Carlos Renato e, após o casamento, ir cada um para o seu quarto, no apartamento que o pai dele daria para o casal. E foi o que ela fez.

Com dois anos de casada, vinte e três anos de idade, Lédia abandonou tudo por ter se apaixonado perdidamente por Lucas, professor de História da faculdade. E com ele foi morar. Carlos Renato, que nunca conseguiu fazer Lédia se apaixonar por ele, se conformou. Afinal, ele também não sentia grandes amores por ela.

Anos mais tarde, viemos saber: Carlos Renato era homossexual. O casamento com Lédia também foi uma fachada. Não para conseguir sair de casa, este era o plano dela. Mas para conseguir um apartamento do pai, que todos os irmãos ganhavam quando se casavam. Casar-se com Lédia era a maneira que ele encontrara de ganhar o seu.

Lédia não desquitou-se de Carlos Renato, ele também não tinha interesse. Carlos Renato faleceu com 46 anos, em 1984, de infecção generalizada. AIDS. O apartamento ficou pra Lédia, onde mora com Lucas até hoje. Como seu estado civil passou a ser "viúva" depois da morte de Carlos Renato, Lédia viu-se livre para casar-se novamente no papel. Em dezembro de 1984, Lédia, então com 44 anos, casou-se com Lucas, nove anos mais velho.

Em dezembro, eles comemoram vinte anos de casados. No papel. De vida em comum os dois contabilizam quarenta e um anos juntos. Juntos desde o dia em que Lédia saiu do apartamento de Carlos Renato para morar com seu grande amor".
por Juliana Jacyntho, em 6/21/2004 02:17:23 AM



Vi no Jô.

Mamãe Rata levou seu filho ratinho para passear numa noite de lua, estrelada, brisa leve, noite linda.
De repente, por cima da cabeça deles passa um morcego... O ratinho, maravilhado, declara:

--- " Nossa mãe, olha que lindo! Um anjo!"

Vocês podem até não achar graça, mas eu achei tão bonitinho...

por Juliana Jacyntho, em 6/21/2004 01:12:40 AM





Vejam o que os meus olhos viram:
por Juliana Jacyntho, em 6/19/2004 05:09:33 PM



Dormi no zoológico e nem me avisaram...

Ela berrava de um lado. Ele berrava de outro.

E eu no meio.

Minhas súplicas por silêncio de nada adiantavam.

Pedi a Deus, ao Espírito Santo. Pedi à Santa Therezinha, minha madrinha e protetora.

Em vão.

Os gritos dela pareciam cada vez mais sofridos, mais agudos, mais penetrantes nos meus ouvidos. Estes, tão sensíveis.

Ele, do outro lado da rua, respondia mais alto a cada berro dela.

Nada adiantava, mas eu ainda tentei argumentar:

-- "Por favor, são 4:30 da manhã"!

Eles, como se estimulados pelo meu argumento, como se tivessem ficado ainda mais enfurecidos com meu comentário, berravam ainda mais alto.

Ela uma hora, ele na outra. Ela no tempo, ele no contra-tempo.

E lá se foi o silêncio, figura tão assídua na minha madrugada.

No meio do fogo cruzado sonoro de uma gata no cio e um galo garnizé com complexo de Tarzã, o Rei das Selvas, quem é que consegue dormir?

E depois eu é que sou bicho-preguiça...
por Juliana Jacyntho, em 6/19/2004 12:37:22 PM




Na primeira hora dessa sexta-feira, conforme anunciado e esperado, o nosso primeiro BMM daqui do Balanço!

E hoje, inaugurando a coluna em grande estilo, o nosso colaborador Alex Mantovani escreve um ensaio sobre tema recorrente no dia-a-dia dessa homarada...

Só uma coisa me intrigou... machos predadores, Alex?

Polêmico ou não, acho que começamos com o pé direito! Adorei.





Por Alex Mantovani

"Foi-me concedida a honrosa incumbência e árdua tarefa de inaugurar este espaço. Em um primeiro momento questionei-me sobre os motivos que levaram a este convite: se seria por minha inconteste masculinidade, se seria por minha condição de quase ébrio habitual ou por meus percalços da vida, entre outras razões. A resposta que me foi dada é categoricamente mais simples: eu fui a primeira pessoa que se prontificou a escrever, quando solicitada.

Pois bem. Assim seja. O tema do dia é a embriaguez. Nada mais apropriado para o momento (a ressaca ainda preenche meus órgãos). Quais seriam os motivos para a busca frenética por álcool nas veias em determinados dias (em especial a sexta-feira, pois, como disse nossa anfitriã, a sexta é o dia mais masculino da semana)?

O objetivo etílico tem as mais variadas e ecléticas fontes. De início, pode-se dizer que é uma comemoração (ou o lamento) do fim de mais uma semana de trabalho, visto que à maioria de nós, machos predadores e trabalhadores dedicados, Deus concedeu dois dias de descanso, ou melhor, um para o descanso e o outro para a esbórnia.

É natural que após uma longa semana de trabalho bruto e braçal, possamos nos deliciar com uma substância que, embora lícita, produz efeitos alucinógenos e relaxantes. Aqui surge a principal resposta para a utilização do álcool: a fuga ou a potencialização da realidade. Bebemos para esquecer, bebemos para confraternizar ou então brindamos à felicidade.

Essa é a virtude do álcool: tem mil e duas utilidades (uma a mais do que um certo famoso produto de limpeza). Serve para as mais variadas ocasiões. É convidado bem vindo em qualquer mesa noturna. Aproxima as pessoas (às vezes ao ponto de quase unir células tornando-as um só corpo). Faz com que sejam ditas palavras até então escondidas e presas. Anima qualquer ambiente (por vezes destrói alguns). Em suma: é produto necessário aos encontros mais interessantes.

Nós, representantes da espécie com grau de masculinidade absolutamente exacerbado (verdadeiros machos predadores conforme já dito) somos usuários convictos dessa poderosa arma desinibidora, principalmente na noite da sexta (24 horas conhecidas como o "dia nacional da armação").

Nada como uma mesa de botequim, roda de amigos, loiras geladas (quentes também são bem vindas), uma boa conversa, descontração, camaradagem. A sexta-feira é assim. E quando não é, deveria ser. Até qualquer bar".
por Juliana Jacyntho, em 6/18/2004 12:18:16 AM



É AMANHÃ!

SEXTA-FEIRA, dia mais masculino da semana, na minha humilde opinião, a ESTRÉIA da nova coluna semanal aqui do Balanço!

BMM: BALANÇO MENTAL MASCULINO!

E quero agradecer aos meninos pelos textos já enviados!!!

E para aqueles mais tímidos que ainda não se manifestaram... o e-mail taí embaixo ó... é só afiar as idéias, colocá-las no "papel" e enviar pra cá (sem esquecer do pseudônimo, se não quiser ver seu nome publicado, a gente aqui garante o anonimato)!

Para aqueles outros que ficaram sabendo da coluna agora e querem ter um texto seu publicado, mesma coisa... o e-mail tá lá embaixo ó... é só mandar que será muito bem-vindo! Vale qualquer assunto: histórias do cotidiano, relacionamento, comportamento, trabalho, viagens... Sempre lembrando que se trata de um Balanço Mental Masculino.

O espaço é de vocês! À gente só caberá dar uns pitacos básicos, nos comentários.

Afinal, seja qual for o assunto, trocar idéia é fundamental! Até lá!

Ah! E rapazes... perdoem-me pelas estrelinhas no anúncio... Apesar de ser anúncio de uma coluna masculina, não me contive... Além disso, hoje ainda é quinta-feira...

por Juliana Jacyntho, em 6/17/2004 04:51:04 PM



Era uma vez um blog. Durou pouco. Mas enquanto foi, foi bem legal. Resolvi trazer de lá os poucos posts que eu tinha escrito, antes da implosão total que dará cabo nesse bloguinho de vida tão curta.

por Juliana Jacyntho, em 6/17/2004 01:21:37 PM



As quatro gatas e o Darwinismo

Filho único sofre? Filho único sofre. Sofre com o fato de ser a única criança em casa, ser o centro das atenções e das preocupações. Sofre por não ter um irmãozinho pra brincar quando pequeno, um irmão mais velho para defendê-lo nas brigas na escola.

Mas filho único também se dá bem. Recebe o amor dos pais de forma incondicional e individual. De presentes, ganha de um tudo. Cansei de ouvir que filho único é mimado. Às vezes, eu mesma me pus a entonar essa pérola, acreditando piamente no seu conteúdo. Afinal, ele sempre ganhou tudo o que queria, material e afetivamente. Cresceu cheio de mimos, daí o termo.

Se posso, discordo. Para ser egocêntrico e caprichoso - e é isso que "mimado" no fim das contas quer dizer - não é preciso ser filho único. Basta ter sido mal educado, quer entre irmãos, quer não.

A grande graça de ser filho único é que, desde pequeno, ele tem que se socializar muito mais do que a criança que tem irmãozinho e serviço de brincadeira-delivery em casa. Ele é lançado ao mundo para buscar amiguinhos, priminhos, alguém pra dividir a brincadeira. Na falta de irmãos, os coleguinhas do prédio. Na falta de irmãos, os amiguinhos da escola. Afinal, quem não tem cão, caça com gato, dirão uns. Mas amiguinho da escola nunca substituirá um irmão, dirão outros.

Eu, particularmente, vejo fraternidade na sua plenitude entre amigos. Quando essa amizade vem da época da escola então, nem se fala! Quando se tem amigos que cresceram junto com você o elo é ainda mais forte. A sensação de ser irmão é ainda mais latente. Arrancar um amigo destes de dentro da sua vida é arrancar uma parte de você mesmo. Dói. Faz chorar. Nem rola.

É amigo confidente, pra todas as horas. É amigo pra rir, pra chorar. É amigo pra dar esporro, pra levar também. É amigo. Amigo lato sensu. Amigo-irmão. O irmão que não se teve porque não foi gerado pela mesma mãe. Mas irmão que a vida quis que você tivesse.

Não tenho irmãos que saíram da barriga da minha mãe. Tenho três irmãs. Mas elas também não saíram da barriga da minha mãe. Saíram um dia de casa e cruzaram comigo na escola, cruzaram comigo num quintal, brincando de Queimado ou num quarto escuro, cheio de beliches, brincando de Gato Mia ou mesmo até na matinê daquela danceteria que nem existe mais, pra onde íamos cantar música da Xuxa, dançar música lenta cafona, de saia preta, camisa de malha branca, tênis redley e meia soquete, coisa fina, como vocês podem ver, achando que estávamos abafando.

Não é o código genético que funciona como passaporte de convivência. Há pessoas que tomamos para nós como família e na nossa vida permanecem por questão de afinidade, porque é gostoso estar junto, sabe-se lá porquê. Sabe-se apenas que moram lá dentro, fazem parte da nossa vida.

Há outras pessoas que, embora pensemos que moram lá dentro e fazem parte da nossa vida, por esta e desta são arrancadas. Fato que nos faz enxergar, com a rapidez de um passe de mágica, que elas poderiam até morar lá dentro, mas talvez você não morava lá dentro delas.

E é assim que a vida afasta quem não é amigo-irmão: num piscar de olhos, quase sem que você perceba. E então você agradece por não mais ter centopéias rastejando no seu jardim. Darwin já tinha explicado a seleção natural dos indivíduos há muitos anos e ainda hoje há quem duvide disso.

Eu não.
por Juliana Jacyntho, em 6/16/2004 11:56:24 PM



por Juliana Jacyntho, em 6/16/2004 01:08:32 PM





Pessoal,

Só a título de curiosidade: A faixa da foto que eu publiquei no post sobre a Parada Gay de São Paulo anuncia Parada do Orgulho GLBT.

Eu, cá comigo, não sabia o que significava o BT no final... vim saber lendo a Viagem e Turismo desse mês: é Bissexuais e Transgêneros. Trans o quê? Transgêneros! E não é Transexual... o que significa isso, então???

Alguém aí elucide o mistério, s'il vous plait!


Elucidaram-no!

Nosso leitor Meleu indicou um site nos comentários, o Campanha Digital contra o Preconceito GLBT que, em síntese, explica o sentido de transgêneros assim:

"O termo transgênero é utilizado para descrever o grupo de pessoas que não se enquadra na forma como as definições de "homem" e "mulher" são concebidas socialmente e inclui transexuais, hemafroditas, andrógenos, travestis e transformistas".

Acatei a outra dica do leitor, a de procurar no dicionário, mas não obtive sucesso... Vai ver que, na época do Prof. Aurélio, não tinha transgêneros.

Brincadeira, sabemos que tinha, mas ele não os menciona, talvez porque o termo seja novo... e olha que a edição em que procurei tinha até transgênico, também novo.

Valeu, Meleu, pela ajuda!
por Juliana Jacyntho, em 6/15/2004 11:59:42 PM



TOC, TOC: e a loucura bate à porta...



Há algumas semanas atrás, uma revista semanal publicou uma matéria de capa sobre Transtorno Obsessivo Compulsivo, também conhecido pela sigla TOC.

Lendo a matéria no interior da revista, mais especificamente um quadro que elencava comportamentos que sugeriam a existência do TOC em algumas pessoas, descobri que vários daqueles comportamentos, classificados como "obsessivos compulsivos", eu tenho.

Não só eu. Você também. Sua mãe, a minha, seu pai, seu irmão e sua irmã. Sua empregada, a minha, seu colega do escritório e todos demais seres do planeta.

Comportamentos ditos repetitivos como: verificar se trancou o carro; verificar se trancou a casa; verificar se o aquecedor a gás está com o piloto apagado, verificar se está com o passaporte e sua passagem para Paris (Paris sim, por que? Vamos sonhar, pessoal, vamos sonhar...) no bolso do casaco. Tudo isso umas três, quatro vezes, até se certificar que está tudo certo.

Descobri que manter coleções também é sinal de um TOC leve... Olha eu aí de novo: pratos da boa lembrança, canecas, papéis de carta (sim, eu ainda tenho seis pastas!), fotos, cartas, revistas de viagem, pins... e o que mais deixar.

O bom da reportagem é que ela definiu a linha limítrofe entre o TOC dito normal e o TOC patológico.

Pelo que apreendi, o TOC patológico é aquele que te impede de viver.

Não basta verificar se a porta está trancada duas, três, quatro vezes.

Para o portador do TOC, é preciso verificar se a porta está trancada a cada quinze minutos, o que, cá pra nós, no mínimo, o impedirá de sair de casa, não permitindo que ele leve a vida aceita pelos parâmetros de normalidade conhecidos.

Ufa! Escapei do diagnóstico...

Bem, uma vez tranquilos, voltemos às nossas coleçõezinhas que mal nenhum fazem. Afinal, são TOC do bom!

E você, aí? Coleciona o quê?
por Juliana Jacyntho, em 6/15/2004 11:15:14 AM





Por Tia Lídia

"Quando eu era jovem (jovem da idade, não da cabeça, pois isso sou até hoje!) me assustava a enorme quantidade de garotas que cresciam sendo educadas para casar e constituir família, não dando tanta importância aos estudos ou a qualquer outro tipo de realização de planos pessoais.

Ilde, minha melhor amiga na época do ginásio, era assim. Casou-se aos dezessete anos com Luís Augusto que, na época, acabara de concluir o curso de engenharia na Universidade da Guanabara. Foram morar na Urca, num apartamentinho de dois quartos, presente do pai do noivo.

Ilde, recém formada normalista, decidiu com o marido que não deveria dar aulas, mas sim cuidar do apartamento, das roupas de Augusto, o que fazia com muito afinco.

Aos cinco meses de união, Ilde descobriu estar grávida. Quanta felicidade! Nove meses depois nascia Luís Augusto Filho, orgulho da família. Me lembro de ter ido visitar o bebê na casa dos pais de Ilde, no Cosme Velho, onde ela passou o primeiro mês do bebê, pois se sentia insegura sozinha no seu apartamento, sem ninguém para ajudá-la com o bebê e também havia o problema da falta de espaço.

Luís Augusto, nessa época, trabalhava na construção de uma rodovia no interior de São Paulo e retornava à cidade a cada quinze dias. A falta da companhia do marido era suprida pelos mimos ao bebê, que não desgrudava da mãe.

Quando Luís Augusto Filho completou 1 ano e oito meses, Ilde descobriu-se grávida novamente. A família aumentou com o nascimento de Paulo Henrique. Dois anos depois dele, Ilde ainda teve uma menina, Ana Letícia, que faleceu com sete meses, por complicações de uma pneumonia mal tratada. A prole só ficou completa com o nascimento de Ana Lúcia, menina de chachinhos dourados que tanta felicidade trouxe à Ilde, que se desdobrava nos cuidados com sua única filhinha.

Depois disso, me lembro que Ilde resolveu ligar as trompas, não queria mais filhos. Apesar de amar demais os que já tinha, a falta do marido em casa todos os dias para ajudá-la na educação das crianças a desencorajava a engravidar novamente. Ilde já estava prestes a completar 24 anos.

Nessa época, eu já havia me formado na faculdade e trabalhava no Jornal do Brasil. Paquerava o Zé Humberto, nem pensava em me casar com ele, ainda. Mas foi em um dos meus primeiros encontros com ele, numa sorveteria em Copacabana, num domingo à tarde, que encontrei Ilde protagonizando a cena mais humilhante que já vi: escondia-se atrás das árvores e postes para não ser avistada por Luís Augusto que, calmamente, envergando a maior cara de pau, tomava um sorvete com uma menina que aparentava ter uns dezesseis anos...

Pedi licença a Zé Humberto que na hora nada entendeu e fui ao encontro de Ilde, arrastando-a pra longe dali. Ela, aos prantos. Três anos depois, Luís Augusto saiu de casa para morar com a jovem, que completara vinte e um anos... e Ilde seguiu a vida cuidando dos três filhos, recebendo uma pensão de Luís Augusto, sem se interessar por trabalho, já que não sabia fazer outra coisa que não cuidar da casa e dos filhos, dizia ela, sem se dar a chance de viver um novo amor. Perdemos o contato quando Ilde se mudou para uma casa no Grajaú, pra onde foi criar os filhos, patrocinada pelos pais e por Luís Augusto.

Hoje, quase quarenta anos depois, esbarro com Ilde na Cidade. Estava com a nora, esposa de Paulo Henrique, filho do meio, com quem mora.

Me pergunto se essa mulher foi feliz, vivendo para a casa e para os filhos, sem atentar para seus próprios desejos, suas próprias necessidades.

Me pergunto se essa minha amiga de outrora é feliz, hoje, vivendo na casa do filho, dependendo dele e da nora, da vida deles participando ativamente, sem ter uma vida pra chamar de sua...

Ou será que a vida dela é a vida dos filhos, por direito adquirido nas escrituras da vida, passadas em cartório, com firma reconhecida? Pode ser que sim. Pode ser que não. Pela cara da nora, nem quero arriscar um palpite".
por Juliana Jacyntho, em 6/14/2004 12:40:00 PM



Casulo


"Existe alguma explicação científica que desvende os mistérios que rondam a cabeça de um ser que acabou de ingressar num novo relacionamento amoroso e se dedica full-time ao seu mais novo foco de adoração, sumindo do mapa dos programas que incluam alguém mais, além do casal? Não?

Então será que existe alguma explicação, seja científica, seja até daquelas mais rasas de mesa de bar, que responda o porquê de quando se termina um relacionamento amoroso, o sujeito volta para o aconchego dos amigos, das baladas, dos choppinhos descontraídos e não consegue parar de pensar como viveu durante os últimos três anos e oito meses de sua vida sem tudo aquilo?

Se existisse, não vivenciaríamos esse tipo de experiência, seja como protagonistas, seja como coadjuvantes que, junto às tardes de chá, fofoca e requinte ou de futebol, vão sendo abandonados pelos seus já ex-integrantes assíduos.

Por que será que a paixão provoca o efeito casulo em algumas pessoas? Amo, logo só saio com meu namorado. "O quê? Chopp com os amigos? Ah, eu tava pensando em irmos ao cinema, só nós dois, bem juntinho". E, provavelmente, como desdobramento lógico da exigência de atenção exclusiva, quem exige se fecha para o mundo que possuía antes de conhecer o seu novo amor.

Quantos relacionamentos vão ter que terminar para que o mundo, enfim, aprenda que se voltar integral e incondicionalmente para o outro que você escolheu para estar ao teu lado sufoca? Sufoca o outro, sem dúvidas, que não consegue dar um passo autônomo sem que seja seguido por uma cara emburrada ou uma discussão que, cá pra nós, só desgasta. Mas sufoca muito mais gravemente quem está exigindo atenção.

Primeiro a pessoa pára de freqüentar os amigos, os lugares que costumava ir sem o namorado ou sem a namorada, de fazer os programas que costumava fazer antes de se apaixonar. Ato contínuo, exige que o outro faça o mesmo, afinal, juntinho é que é bom! Não sei se isso ocorre nessa ordem, aqui se aplica a teoria Tostines, mas que a fase casulo e a fase queroatençãootempotodo andam juntas, isso andam!

O fato é que quando exigimos a atenção do outro o tempo todo, insinuando que ele deve deixar de fazer o que habitualmente fazia antes do relacionamento, nos tornamos imensamente vulneráveis. A insegurança bate à porta, o ciúmes, pra quem é de ciúmes (e quem não é? Ainda que só um pouquinho?), fica sob o tapetinho de entrada, só esperando um acontecimento para ele entrar em cena e te matar, segundos depois, de vergonha.

Em pensar que há nove meses, há um ano, há um ano e oito meses, que sejam, esse Deus que te priva da sua liberdade sequer existia na sua vida. E o pior é que, muitas vezes, o coitado nem pediu para ser alçado a tal posição de destaque no seu Olimpo, nem contribuiu pra que aflorasse em corações e mentes tanta insegurança (sim, há aqueles que contribuem, mas prefiro crer ser a minoria).

Vá dizer: isso não é sufocante? Existe sensação mais sufocante que a prisão, a clausura? Como pensar em liberdade se nos sentimos presos a uma pessoa, aos seus passos, aos seus telefonemas? Não há prazer no casulo.

Lutemos contra essa tendência louca de homens e mulheres se fecharem para o mundo quando amam, pondo toda uma possível história de amor, sexo, liberdade, companheirismo, respeito, a perder, cobrando atenção o tempo todo. Relacionamento a dois há de ser mais! Há de ser dez, nota dez"!

Na Casa dos Vinte e Cinco/abril de 2004
por Juliana Jacyntho, em 6/14/2004 11:54:35 AM



E o dia dos namorados taí, batendo na porta.

Pra uns, tão temido...

Como é duro estar sem namorado, sem alguém pra chamar de "seu" num momento em que todos respiram romantismo. As vitrines das lojas decoradas em vermelho, os amigos que estão acompanhados planejando jantares, bolando presentes, cartões, e o solteiro ali, no ora vejam só... Acredito que essa é a data em que mais incomoda estar solteiro. Mas acredito também que nenhum momento que se passa solteiro, mesmo o dia dos namorados, é em vão.
É quando estamos solteiros que ansiamos por uma cara-metade. É quando estamos solteiros que idealizamos a pessoa que queremos ao nosso lado. É quando estamos solteiros que aprendemos a separar o joio do trigo, distinguindo o bom do mau, o sensível do grosseiro, definindo qual o perfil da pessoa que queremos que entre na nossa vida e participe do nosso dia-a-dia. É quando estamos solteiros que aguçamos os sentidos nessa busca. E quando essa busca surte o resultado esperado, temos é que agradecer pela sagacidade trazida pelo tempo em que ficamos solteiros.

Pra outros, uma festa...

Como é gostoso escolher um presente para o dia dos namorados. Como é gostoso escrever num cartão tudo o que você sente, sem rodeios. Melhor ainda é saber que quem está do seu lado, nesse dia, merece o posto. Merece cada segundo do seu dia gasto em pensamentos, em saudade, mesmo que vocês tenham se visto há minutos atrás. E então o dia dos namorados é só festa! É um dia para celebrar o encontro de duas pessoas que, no meio de um milhão de tantas outras, se esbarraram e tiveram o clique: "Caramba, é por você que eu tava procurando!" E se acharam. [Momento de contemplação]. E desde então dividem de um tudo: alegrias, tristezas, mau-humores, palhaçadas, prazeres, descontentamentos, e o que vier. Pra essas duas pessoas, Feliz Dia dos Namorados, data oficial em que se comemora a descoberta de que o que te diziam era verdade: o que era seu, tava guardado. Podia estar até bem guardado demais, mas você achou. Parabéns!

Nota para os namorados de plantão: Não só no Dia dos Namorados devemos nos preocupar em comemorar esse encontro. Façamos dessa comemoração um hábito diário, como é e deve sempre ser...
por Juliana Jacyntho, em 6/10/2004 12:05:55 AM



EM BREVE:




AGUARDEM!
TODAS AS SEXTAS, AQUI NO Balanço!
Leia-se: a partir da outra sexta-feira, depois do feriadão, afinal de contas meus colaboradores estarão muito ocupados nessa sexta agora... melhor! Assim, terão mais material pro próximo post... Até lá!
por Juliana Jacyntho, em 6/9/2004 02:44:52 PM



De Artur Xexéo, hoje, no Segundo Caderno do Globo:

"Ninguém perguntou nada, mas Garotinho disse que o governo atual é o mais cruel de todos os tempos com o Rio. Ele estava falando do governo federal, mas cheguei a supor que o secretário estava fazendo uma autocrítica".

Não, Xexéo, ele não teria tamanho bom senso... e seguimos nós com esse governinho qualquer nota.
por Juliana Jacyntho, em 6/9/2004 12:31:52 PM





por Juliana Jacyntho, em 6/9/2004 11:32:56 AM



Não era minha idéia de post pra hoje mas depois que li isso me senti na obrigação de reproduzir, aqui, essa notinha que acabei de ler na coluna do Joaquim Ferreira dos Santos...



Cuidado, cachecol

Da consultora de etiqueta Ana Andreazza sobre os exagerados cachecóis que as cariocas andam pendurando no pescoço: "Imagine essas loucas, na night , com blusa de alcinha e cachecol... O pescoço assa!! E a maquiagem derrete toda! Ana fica ainda mais perplexa ao ver gente usando bota de ski. "Meus pés queimam só de olhar. Essa nostalgia do frio que não temos é ridícula."

Isso me lembrou de uma história...

Mariana, Letícia e Sofia estudaram juntas na faculdade de Desenho Industrial. Ao se formarem, cada uma seguiu seu rumo, indo Mariana morar em Porto Alegre no início desse ano, cidade que faz frio (assim, frio de verdade). Letícia complementou o curso com uma outra faculdade, de Moda, que estava terminando. Sofia trabalhava no escritório de uma conhecida designer de móveis carioca.
De férias, no Rio de Janeiro, Mariana liga para Sofia e Letícia para sairem juntas e colocar as fofocas em dia. Papo vai, papo vem, vários chopps depois, o papo já rumou para o inevitável na vida dessas três mulheres tão descoladas: moda, óbvio! Diz Mariana:

-- "Acho tão ridículo essa mania das meninas aqui no Rio usarem cachecol com camisetinha de alça...ai, fala sério...porque, pra gente do Sul, é absurdo, né? Vocês não tem frio pra isso..."

Sofia e Letícia se entreolham, tipo assim, não tô entendeindo, já que a amiga se mudou para o Sul há apenas 6 meses... como assim, "a gente do Sul", cara pálida? Letícia replica:

-- "Que absurdo, Mariana, cachecol é um acessório como outro qualquer, pode e deve ser usado no nosso inverno com camisetinha de alça sim, qual o problema?"

Sofia endossa:

-- "Eu também acho, eu mesma uso sempre e acho super charmoso..."

Mariana, minoria na conversa cachecolesca, achou por bem concordar, ficando quieta.

Lendo essa notinha do Joaquim hoje, eu concluo: discutir a natureza jurídica do cachecol no pescoço da mulher carioca está na moda! Eu, particularmente, fico com Sofia e Letícia. Pela liberdade da mulher carioca vestir e lançar no seu visual o que ela bem quiser, é ou não é, meninas? Sem esquecermos, antes de abrir o guarda-roupas, que se vestir é, antes de tudo, um exercício de bom senso. E é esse bom senso que nos permite usar um cachecolzinho aqui e outro acolá nos nossos dias de frio. Yes, nós temos bananas e frio! E tenho dito!
por Juliana Jacyntho, em 6/8/2004 10:20:10 AM



Saudade

Saudade é uma palavra que só existe em português e quer significar vontade de rever, ter de novo, beijar de novo, sentir de novo, abraçar de novo, viajar de novo, tudo novamente.

Só sentimos saudades do que já tivemos, já provamos, já vivenciamos: pessoas, lugares, cheiros, sabores, sensações. Ninguém tem saudade do que não foi, do que não viu, do que não viveu.

Às vezes é um sentimento bom, saudade que acalenta, faz companhia, traz memórias prazerosas, principalmente se o objeto da saudade ainda está ao nosso alcance.
Às vezes não. Às vezes pode doer, como quando ocorre ao lembrarmos de algo ou alguém que já se foi, sem volta, sem volta mesmo. Essa saudade faz a gente refletir até mesmo sobre o real sentido da vida, balanço mental que sabemos sem resposta.

Sente-se saudades porque se viveu. Há quem não viva e de tudo se resguarde, por medo, por insegurança, por acomodação.

Medo de quê? de se jogar de cabeça? de não conseguir matar no peito? de não ser capaz de suportar a dor da derrota? Medo de viver. Risco certo de não experimentar saudosismo porque o passado é apenas uma imensa lacuna não preenchida.

Vive quem tem do que se recordar. Só se recorda o que se viveu, o que marcou, seja para o bem, seja para o mal.

Saia, respire fundo, tome sol, chuva, sorvete. Beije, abarce, sorria, chore, presenteie, aplauda, critique, se dê a chance. Viva. Viva para sentir saudades porque, de tardes intermináveis sentado na poltrona num quarto sem vista, testemunhando o correr das horas, vamos combinar: disso ninguém sente saudades.
por Juliana Jacyntho, em 6/6/2004 06:02:54 PM





E Alice volta de Minas...

"Numa manhã ensolarada de outono, Alice desembarca na cidade de Carol, Zé Henrique e Raquel, já que fora convidada para a festa de quinze anos da sobrinha de Carol e Zé Henrique, Luciana, a Lulli.

É recebida com um tremendo almoço em família, no qual comparece Zé Henrique, obviamente acompanhado por Raquel.

Pra quem acompanhou o namoro de Zé Henrique e Alice, é quase surreal assistir a cena: Zé Henrique e Raquel, quase muda, à mesa, e Alice no outro ambiente da sala, aconchegada no sofá da ex-sogra, conversando alegremente com as ex-cunhadas, totalmente à vontade.

Parece que tem alguém sobrando no cenário... É, Raquel, se seu namoro e seu humor resistirem a tantas provações, aposto que você se casará em breve com Zé Henrique, penso eu com os botões do meu teclado".
por Juliana Jacyntho, em 6/5/2004 02:29:17 PM





Em qual dos sete você é mais reincidente?

Vocês conhecem a coleção Plenos Pecados da Ed. Objetiva (olha o jabá)? Pois bem, tenho todos os sete volumes, ilustrações de capa belíssimas, assinadas por artistas plásticos renomados (a Gula, por exemplo, tem a capa assinada por Beatriz Milhazes, cujas exposições no CCBB são sempre um sucesso). Uns têm conteúdo que se lê em uma sentada, como a Inveja, do Zuenir Ventura, a Gula, do Luís Fernando Veríssimo e a Luxúria, do João Ubaldo Ribeiro. Outros, pedem mais que uma sentada, achei chatos, como a Preguiça, de João Gilberto Noll, uma leitura bem arrastada... mal do nome?

A verdade é que tenho o maior ciúme dessa minha coleçãozinha. Vira e mexe os sete pecados capitais são tema recorrente de livros, filmes e conversas de bar. Vocês aí já pararam para um breve balanço mental a fim de apurar em qual dos sete pecados capitais vocês mais incorrem, reincidem, reiteradamente? Inveja? Gula? Luxúria? Ira? Preguiça? Soberba? Avareza?

Eu, particularmente, acho que a Gula nos acompanha diariamente, vai dizer... Uma Preguicinha aqui e acolá também, afinal, é preguiça o nome que se dá àqueles dez minutinhos de permanência na cama depois que o despertador toca...

Mas e os momentos de cobiça pelo que não nos pertence? De tara, que não nos deixam desgrudar do objeto de desejo? Os momentos de explosões nervosas que nos fazem ficar, minutos depois, passados, por termos perdido o chão? Os de nariz empinado, que nos impedem de aceitar ajuda quando precisamos, ou mesmo o sentimento de reconhecimento exacerbado pelos próprios feitos? Qual a estatística da presença desses pecados na nossa cabeça, no nosso dia-a-dia? E os momentos de zurice, mão de vaquice - pra quem é disso - que denotam, além da ânsia pela segurança na economia doméstica, a personalidade egoísta de quem não abre a mão nem pra dar tchau?

Já pecou hoje?
por Juliana Jacyntho, em 6/4/2004 02:38:22 PM





Lágrimas de Crocodilo

Que tal se sua família contratasse um grupinho de senhoras para, no dia do seu velório, derramar algumas lágrimas sobre seu caixão? Achou surreal? Eu também, mas descobri hoje que essa prática era usual no início do século e o grupinho em questão atendia pela alcunha de velhas carpideiras!

As senhorinhas eram contratadas pela família do de cujus para "marcar presença" no velório, ocasião em que se prostravam em volta do caixão e se punham a derramar um mar de lágrimas, em homenagem ao falecido.

Diante dessa minha constatação, uma pergunta não quer deixar minha mente descansar: Que lágrimas de crocodilo eram essas? O que impulsionava estas senhoras para o ato de se debulhar em lágrimas por um defunto que elas sequer conheciam? Só a graninha? Cristal Japonês? (quem se lembra disso, meu Deus?) Cebola ralada? Ou será que, lá nos idos tempos das carpideiras, sentia-se dó, tristeza, compaixão, no momento da morte mesmo de quem não se conhecia a ponto de conseguir chorar horrores, por horas a fio?

E qual devia ser a intenção da família do morto: mostrar à sociedade que ele era querido e que a quantidade de senhoras chorosas em volta de seu caixão era sinal desse bem-querer? Ou sinal de que ele era uma galinha, cheio de viúvas desconsoladas em volta da urna? Corria-se esse risco, como não?

Seja a resposta qual for, quero não carpideiras no meu velório, por favor! Que compareçam poucos, mas verdadeiros amigos, sem reações pagas nem emoções de plástico, mas com lágrimas e sorrisos de verdade. Sorrisos sim, por que não? Lembrem-se disso.
por Juliana Jacyntho, em 6/3/2004 05:46:26 PM



Saia justa não, longo-justo!

Alice havia se tornado uma grande amiga da família de Zé Henrique, principalmente de uma das suas quatro irmãs, a mais nova, Carolina.

Desde o início do namoro de Alice e Zé Henrique, em 1997, Carolina e a cunhada não se desgrudavam, tamanha era a afinidade entre as duas: fizeram a mesma faculdade - pedagogia, uma na PUC mineira, outra na PUC paulista; tinham quase a mesma idade, com a diferença de três meses exatos, Alice faz aniversário em 20 de junho e Carol em 20 de setembro; as duas têm os mesmo gostos para roupas, viagens, restaurantes, enfim: grandes amigas. Que mal há nisso? Nenhum, concordo.

Nenhum se, no meio de tanta afinidade assim entre Alice e a família de Zé Henrique, entre Alice e sua cunhada predileta e amiga, não aparecesse Raquel, a mais nova paixão de Zé Henrique, motivo pelo qual o rapaz tomou coragem de pôr fim no namoro de 6 anos com Alice, preferindo apostar no que seu coração parecia sentir.

No início, a família estranhou a nova namorada de Zé Henrique. Mas Raquel, que não era boba, se desdobrava em agradar a sogra, aplacar a antipatia de algumas das cunhadas e suplantar a concorrência com Alice que, a esta altura, nem freqüentava a casa de Carol, já que estava morando em Minas, embora ligasse para todos em aniversários, Natal e Ano Novo. Afinal, Alice era assim: uma menina dócil, simpática e afetuosa. Características que a família demorou a encontrar em Raquel. A pobre, embora se esforçasse a olhos vistos, era pega pelos parentes dando reprimendas sérias em Zé Henrique, fruto da insegurança e do ciúmes que o tratamento super-hiper cortês dispensado à ex do namorado, pela família dele, nela despertava. Os dois discutiam pelos cantos da casa, em horas a fio pelo telefone, em aniversários, casamentos, batizados, com platéia, sem platéia. Isso só reforçava a torcida contra: muitos na família torciam pela volta de Alice e Zé Henrique. Mas Alice estava de namorado novo, feliz da vida.

Zé Henrique, mesmo aos trancos e barrancos, assumia que amava Raquel, de verdade. A família, que nada tinha a ver com as escolhas amorosas do rapaz (mas tinha que suportá-las, pro bem e pro mal) foi se acostumando com a presença de Raquel em casa.

Tudo ia relativamente bem até que, em abril deste ano, mais especificamente no dia 17, Carol se casou com Rodolfo, com quem namorou por 7 anos (sim, Alice e Zé Henrique começaram a namorar duas semanas antes que Carolina e Rodolfo: outra afinidade entre as duas). Carol convidou Alice para ser madrinha do seu casamento, o que trouxe a menina de volta à cidade, junto com seus pais, que também eram gente muito boa e animada, assim como a família de Zé Henrique e Carolina.

Nas duas semanas que precederam o casamento e a vinda de Alice, o chão tremeu: Raquel não se conformava, brigava com Zé Henrique argumentando que a irmã dele faltou com a consideração que ela merecia. Amarrou muito a cara. Discutiu muito com o namorado, ao vivo e pelo telefone. Mas compareceu ao casamento comme il faut, muito bonita, toda produzida e acompanhada pela sua mãe, uma senhora já de idade.

Zé Henrique foi padrinho da irmã junto com Cecília, sua irmã mais nova depois de Carol. Alice foi madrinha de Carol e entrou com Guilherme, primo da noiva. Raquel ficou, ao lado da mãe, na platéia, assistindo tudo e bufando de quando em vez, mas tentando disfarçar com alguns parcos sorrisos.

A família toda comentava, entre um canapé e outro, entre um taça de prosecco e outra, a saia justa que era ver aquelas duas no mesmo salão. Zé Henrique se adiantou e tratou de apresentar as duas, para acabar logo com o mal-estar. Inocente o Zé Henrique. O pior ainda estava por vir...

Fecha na cena: Carolina, de olhos vendados (pra vocês verem que não houve marmelada), sobe ao palco para iniciar a tradição de jogar o buquê para as solteiras da festa... Música anos setenta rolando na caixa de som, todos ultra animados, mulherada toda dançando, irmãs, primas e amigas da noiva e, entre elas, Alice e Raquel.
O buquê alcança Alice, lá no fundinho da pista, quase que desinteressada em ser a contemplada. Raquel alterna expressões facilmente visíveis de ódio, inveja e decepção e sai muda, em direção a Zé Henrique.

O DJ, totalmente sem saber do mal estar recém instaurado, ainda pediu pra noiva anunciar ao microfone quem foi a sortuda da vez e, de acordo com a tradição, a próxima a se casar: Alice!!! Assim, em alto e bom som, como se a cena da pegada do buquê em si já não tivesse sido constrangedora o suficiente para quem viu e sabia do que se tratava. Uma das irmãs da noiva, num momento de extrema sabedoria (e diplomacia), pediu ao DJ: "aumenta o som!" E se lançou no meio da pista para entreter os convidados, animar a festa e quebrar o clima.

Resultado: Zé Henrique confessou que no fundo, no fundo, sentiu foi pena de Raquel, mas nem tocou no assunto para não polemizar o acontecido. E segue o casal, até hoje, nessa formação, sabe Deus até quando. Alice, na manhã seguinte, vôou de volta pra Minas, mas antes, revelou que estava solteira novamente. A torcida do arco-íris, naquele momento, reabriu o bolão que está fervendo até hoje, com dias de pico naqueles em que a família presencia as discussões (não raras) do casal".
por Juliana Jacyntho, em 6/1/2004 06:35:44 PM



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