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A ansiedade esperada e completamente justificável num momento como este roubou minha criatividade? Ou será a falta de tempo diante de tantos afazeres nesta fase de tantas mudanças na vida? Não sei, quero voltar a escrever, disso sei. Enquanto isso... [blank].

É daqui a 10 dias o momento crucial de toda mudança!!! E, desculpem prezados, não consigo pensar em outra coisa que não neste grande dia e seus desdobramentos... [blank].

Espero que só até depois da lua de mel. Que Santa Carrie Bradshaw me traga muitas inspirações, diretamente de NYC, em forma de textos queridos. Câmbio, desligo.
por Juliana Jacyntho, em 8/30/2005 10:36:05 PM





Here comes the sun... daqui a 18 dias.

por Juliana Jacyntho, em 8/22/2005 11:32:17 PM



Ciclos


Ainda agora enfrentei uma ducha demorada como há muito não me dava o direito de fazer. O processo incluiu uma áspera bucha vegetal, daquelas que passam rasgando pelo corpo mesmo, fazendo até a célula mais dorminhoca acordar. Lembrei-me de quando era pequena e ia passar a semana na casa da minha avó paterna. Lá, eu entrava no banheiro da minha tia e, movida pela curiosidade ímpar dos meus cinco anos, mexia em tudo: passava todo tipo de xampu no cabelo, usava o escovão para as costas que eu achava o máximo, me ensaboava com seus cosméticos caríssimos sobre uma esponjinha de toque suave e me aventurava, também, no manuseio da bucha vegetal, treco esquisito que mais me parecia um pedaço de palha, machucava minha pele e me fazia me perguntar: ué, mas pra quê a tia usa essa coisa ruim? Vinte e poucos anos depois, a resposta: para acordar os sentidos. O esfoliar da bucha feia que afugentava a criança curiosa hoje é ferramenta desopilante da mulher de vida corrida. Arranha a pele e dá o recado para o corpo inteiro: você está vivo, você demanda cuidado.

Objetos, pessoas, lugares que, outrora, nos causaram repulsa, hoje podem ser alvo de admiração e simpatia. Porque a vida apresenta-se em ciclos, é uma bola, é redonda, é cilíndrica e dá voltas. Graças a Deus ela dá voltas e nos permite olhar tudo com um olhar diferente, se assim quisermos. Mudar de verdades, se assim acreditarmos. Mudar de cidades, se assim desejarmos. Achar uma bucha vegetal uma aliada e não um algoz.

Mudar de idéia azeita as engrenagens dos nossos dias e oxigena o cérebro. Mudar de idéia não por instabilidade barata, covardia ou ironia. Nem por falsidade ou oportunismo. Mas por compreender que desengessar conceitos e preconceitos trazidos dentro das mochilinhas que cada um de nós insiste em carregar nas costas a vida inteira pode significar um alívio tremendo. Sensação leve tal como aquela que uma boa esfregada com bucha vegetal no corpo provoca na alma da gente.
por Juliana Jacyntho, em 8/12/2005 08:08:56 PM



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