arquivos
links
fotos

online

Busque um texto no Balanço por assunto:

Pesquisa personalizada



Beleza da vida


Não importa se você está se sentindo esgotado. Não importa se há focos de exploração intelectual e braçal à sua volta. Não importam os erros medonhos de português que parecem te perseguir, a cada virada de página. Não importa. Nada importa. Nada de feio, inculto ou cansativo importa se, entre uma sugada e outra, a vida, gentilmente, te coloca diante de uma degustação da mais pura e fiel reprodução da memória de sua infância.

Corta pro flashback: você no pé de amoras, catando frutinhas frescas, feliz da vida. Só que melhor: na cena, você não tinha mais dez anos; você não estava no quintal da casa da sua Bisa, mas no meio da rua. Que encantamento! E você estava precisando, como se não houvesse amanhã, dessa sensação de frescor e de 'luz no fim do túnel' que só as gostosas lembranças de outrora podem trazer para momentos árduos de agora.
por Juliana Jacyntho, em 10/26/2005 09:44:09 PM



Precisa dizer mais alguma coisa?


Trabalho novo versão forca-porre-mala-total? Liga não, deve passar. É que O Sol está na sua 12ªa casa, que simboliza o Karma, as dificuldades que uma pessoa passa na vida para se desenvolver emocionalmente e mentalmente. É o chamado Inferno Astral. Esta casa ensina a liberdade que resulta da confiança nas leis naturais*.

Se estivesse dentro de mim não expressaria tão bem a verdade desse momento.

*O Globo, 24/10/2005
por Juliana Jacyntho, em 10/24/2005 09:12:14 PM



Santa Globalização


O que tem a ver o fim da Guerra Fria e o nascimento de blocos econômicos com uma simples mudança de cidade? Eu respondo: tem a ver com conforto. Graças à globalização, fenômeno estudado no finzinho dos idos anos oitenta, nós podemos sair do Rio de Janeiro, fixar residência em outro Estado da federação e comer a mesma marca de pão. Assistir o mesmo programa de tevê. Escutar a mesma estação nas freqüências do rádio. Vestir o mesmo jeans.

Podemos ter a gostosa sensação de pensar estar em "casa": sentir-se confortável por estar em contato com produtos, costumes e hábitos que são referência. O que há de mais apaziguador para o forasteiro no processo de ambientação em sua nova cidade? O contato com o que lhe é familiar, com o que ele estava acostumado a usar, mexer, ouvir ou assistir antes da mudança. Temos que agradecer a Gorbachev, Reagan, à queda do muro de Berlim. Ave!

É de se lembrar que o contato com o conhecido deve ser moderado: deve servir sim à facilitação da formação de uma identidade com o novo lar - o approach, deve dar aquele colo necessário para sentirmo-nos fortes, hábeis e capazes de acordar todo dia e ir à caça do leão, sem temer adversidades. Mas pára aí.

Nossas referências nunca devem servir de escudo para impedir que novos temperos, sons e cheiros, tudo ali, aqui, tão à nossa disposição, possa ser desfrutado. Novidade no ar, aliada à gostosa sensação de se ter o que se conhece ao alcance da mão. É muita riqueza, basta querer fazer a coisa funcionar: não refugar, não se negar, não impedir o fluxo do conhecimento. Para quem mudou de cidade, novidade: a aula sobre globalização não acabou em 1989 - ela está apenas começando, com direito a módulos práticos. Aproveita.
por Juliana Jacyntho, em 10/12/2005 07:32:26 PM



Barata mas necessária


Filosofar sobre acontecimentos cotidianos, seja falando, seja escrevendo, é um comportamento notadamente mala, mas inevitavelmente necessário para nos manter lúcidos, ainda que ácidos, diante da natureza humana, das nossas fraquezas, da nossa condição vulnerável de ser: carne, osso, pele, conjunto quebrável, perecível, uma pena. Dói constatar que um belo dia não estaremos, cada um de nós, hoje lindos, aqui nesse lugar chamado lar. Dói ainda mais pensar que esta viagem cujo destino sabe-se lá qual é pode ter como passageiro uma pessoa amada demais. Êta dor.

Dói e amedronta. Dói saber que nossas preocupações, nossos anseios, nossas aspirações, tudo nosso pode deixar de existir daqui a um segundo, basta o coração parar. Basta um idiota trocar de pista sem olhar pelo retrovisor, seguir a mil e atropelar sua pessoa praticando jogging. Quando você ia pensar que morreria praticando corrida? Não pense, já que dói e fui eu quem comecei, me proponho a fazê-lo por nós dois.

Pensar na nossa impermanência é uma das atividades mentais mais desconfortáveis já experimentadas pelo ser humano. Não tem livro de Dalai Lama que valha, que apazigue a mente, não há respostas exatas, afinal, Dalai é um fofo, mas está vivo, como eu e você. Impermanente, como eu e você, a diferença é que ele é iluminado e não tem ataques freak out (ou será?). Pensar na morte: a gente foge disso, faz mal, traz mal agouro, diriam as tias. Daí porque desanuviamos a idéia, cantarolamos a música que toca no rádio, assobiamos uma outra canção qualquer. Há quem reze, peça a Deus e à santa protetora para afastar estes pensamentos ruins. Vale tudo, de um tudo mesmo.

Vale tudo quando o assunto é acovardar-se diante da exigência diária de constatação de que não somos eternos. De que nossos beijos não são eternos, nossos sonhos, nossas viagens. Nossos chopes, nossos carinhos, nossas lágrimas. Elas secam, tudo seca, tudo se acaba, só não sabemos quando, nem como, nem queremos saber. Afasta de mim este cálice, Pai. Afasta de mim este cálice de água cristalina que faz enxergar tudo sob a ótica do ceticismo e do medo. Afinal, ceticismo pra quê? Ore, acenda vela, incenso. Acredite em sete vidas, ou em pelo menos uma após a morte ou agora mesmo. Medo pra quê? Para não se entregar, deixar de amar, deixar de se doar, deixar de ter um filho, frear-se diante de todo e qualquer presente da vida por temer que ela retire tudo de você um dia? Eureka: Não vamos ganhar sempre, mas vamos perder tudo um dia, para ganhar um outro tudo desconhecido, quem sabe. Enquanto isso, já que estamos aqui, cut the shit, bora aproveitar. Volte a dirigir, procrie, ame, sonhe, compre, gaste, ajude, se mexa, pense besteiras. Até quando? (esqueci de incluir lá atrás - não faça perguntas difíceis ou as faça, mas sabendo que corre o risco de escutar respostas lacônicas, pergunte de novo.) Até quando? Até onde der, ué. Filosofia. Barata. Doeu, mas passou.

post-scriptum - Ah, se aquele desavisado não estivesse dirigindo contra o sol, que 'o impediu de enxergar que o sinal estava vermelho para ele' e que meu carro estava calmamente atravessando o cruzamento na sua frente, antes d'ele abalroá-lo, quase amassando a motorista e não o pára-choque, como de fato ocorreu. Sorte dele que não me pegou. Azar de vocês que tiveram que ler um depoimento alô, além de alguém - com enorme vocação para o drama - que foi varrida por mais um dos milhares de motoristas imprudentes deste nosso trânsito brasileiro, na tarde de ontem.
por Juliana Jacyntho, em 10/4/2005 07:53:42 PM



Page copy protected against web site content infringement by Copyscape


Copyright © 2008 Balanço de Dez em Dez - desde 05'2004. Todos os direitos reservados. Lei Federal 9.610/98 - Lei de Direitos Autorais