Hoje Curitiba completa 313 anos
Cidade que tão bem tem me acolhido há seis meses, Curitiba hoje faz aniversário. Reproduzo abaixo, texto do Fabrício Carpinejar, poeta de POA, sobre suas impressões acerca de Curitiba. Impressões estas que eu também nutria sobre a cidade, antes de nela vir morar. Escutei muito e de muitos que "não seria fácil", Curitiba é fria, faz frio, e, sobre seu solo, habitam pessoas, igualmente, frias. Mas não é isso que venho constatando. Não é bem isso... Curitiba até é fria, moderna, limpa. E confesso que para mim isto é qualidade, é bom. De fato, faz frio, faz frio demais e digo isto sem ter ainda enfrentado as temperaturas negativas que, em breve, me deixarão roxa. De frio. Mas os curitibanos não são tão introvertidos assim como lhes prega a fama. Não são tão antipáticos assim como o resto do Brasil convencionou nomear. Não são pessoas tão frias a ponto de não oferecerem um sorriso despretensioso a um forasteiro. Se não é assim, então tenho tido muita sorte com os curitibanos que conheço, conheci, com os curitibanos que esbarro todos os dias, ou já esbarrei, desde o dia em que, aqui, cheguei. Curitiba, parabéns, eu gosto muito de você.
Um careca em Curitiba
Texto Fabrício Carpinejar
Curitiba é cinza. Como um terno azul dobrado. Cidade que muda seu tempo de repente, ficando somente entre a neblina e o nublado. As mulheres parecem não rir. Não é fácil furtar um riso. Encolhidas, fazem com que o outro seja insignificante perto delas. Demonstram uma infelicidade funda e determinada, pássaros obcecados a seguir a migração, sem alterar um milímetro sua rota. Não sei se a infelicidade é minha ou delas.
Curitiba é uma cidade inventada para se correr, mas o engarrafamento não deixa. As ruas usam roupas de grávida, largas e diagonais. Os ônibus têm preferência para abrir as artérias. Paga-se passagem no terminal. Não dá para passar debaixo na roleta ou descer por trás. Isso mata a infância sem querer. As pessoas esquadram o vazio, introvertidas. São funcionais, não perdem atenção com informações desnecessárias. Nada parece ser importante o suficiente para que elas possam sair de casa (ou de si mesmas). Ser caseiro em Curitiba é uma missão. Pode vir o Papa, que será observado pela janela. Amigos se encontram se forçados por visita de família distante. Encomendar uma pizza é obrigatório como levar o cachorro para passear.
Quem escolhe Curitiba nunca adere de paixão. Não vi nenhum adesivo como "Eu amo Curitiba" nos carros ou em lojas. É um amor discreto, platônico, que não se declara nem sob tortura. Curitibano só começa a ser valorizado se fizer sucesso fora. Morar em Curitiba é ficar a duas quadras das convicções. Não é possível se sentir inteiramente no seu território, nem fora dele. Cidade de autores, não de leitores. Ninguém vai parar um escritor e solicitar um autógrafo, ainda que seja Paulo Coelho. Residir em seus limites é exercitar a invisibilidade. Sinto atração pelas suas dificuldades de relacionamento, mas levaria mais do que minha literatura para investigá-la.
A cidade é bonita e fosca quando se atravessa as sinaleiras. Equilibrada, ordenada em excesso, perfeita a ponto do caminhante pensar que ele é o erro. Uma maquete para se investir. Não tem fundo. Não empresta beleza, acabada e embrulhada para a viagem. Maçanetas para pendurar chaves. O rio Belém espia com seus obituários e velhos conhecidos. Passa receoso de incomodar e reprime suas histórias. Os moradores esnobam obediência ecológica. Não pisam na grama e nas certezas.
De acordo com Cristovão Tezza, as obras em Curitiba foram feitas para caber num selinho: Jardim Botânico, Ópera do Arame, Museu Niemeyer. Lerner viciou a fórmula, envolvida em verde, água e estruturas metálicas e de vidro. O modelo é sempre igual, transposto de bairro. Japoneses e chineses aparecem das moitas para fotografar. Nunca encontrei tantos parques arborizados de nuvens. Poucas bicicletas, o hábito é fazer caminhadas e leves corridas. A casa de Dalton Trevisan é cinza como Curitiba. Fechada para dentro. Nunca abre as janelas. Ele mora numa esquina. As corruíras são correias de seus telhados. Anônimas como as pombas. E fugazes.
por Juliana Jacyntho, em 3/29/2006 01:05:01 PM
Lista-girl
Me dou muito bem com listas. Aliás, deixa eu me apresentar: muito prazer, sou a menina das listas. Faço lista para tudo. Muito embora algumas delas às vezes necessitem ser refeitas, já que não cumpridas. E as refaço com o mesmo prazer e júbilo e tesão no planejamento, como se fosse a primeiríssima vez. Faço listas de supermercado. Leite, pão com grãos, água, mamão estão faltando. Faço listas de pendências - a famosa lista "a fazer" (a mais refeita de todas). Já adiei consertar as hastes dos meus estilosos óculos negros, de grau. Já adiei arrumar o meu armário, e sigo enfiando tudo o que me dá na telha no buraco negro da juju (como ele anda conhecido). Até decodificador da Tv por assinatura meu marido já encontrou lá dentro (!?) Qualquer dia sai uma cobra de lá, tudo bem. Já adiei ingressar na academia. Já adiei comprar aviamentos para uns ticidos que comprei em dezembro... e vou adiando enquanto me der vontade. Enquanto não me der vontade, aliás (de fazer o que tá na lista). Os óculos, substitui por um par mais velho, caretão. Na academia, já ingressei, falta só frequentar (item para outra lista). Os ticidos estão criando raiz lá no meu armazém (outro apelido do meu amado armário), já que estão lá sem costura desde the first beginning do verão. São para ser roupitchas de verão (de 2007 agora, paciência). Quem mandou adiar? Ninguém mandou, eu que quis. Deixa na lista.
Como Cecília, tenho fases como a Lua. Muito complicada e nem um pouco perfeitinha, aquele grupeto de rock quase me cantou: sou mais uma mulher de fases. Fases de ser organizada demais - quase a vida inteira. Fase de deixar tudo admiravelmente brilhando - quase o tempo todo. Fases de querer os lençóis impecavelmente esticados e cheirosos - sempre quando os troco. E fases de deixar o meu mundo de pernas para o ar. Principalmente quando estou sozinha. Roupas pela casa. Televisão ligada na sala enquanto estou no escritório ao computador. Cama por fazer. Mini-caos gostoso.
É como se alguma providência divina fosse surgir do meio das minhas roupas amassadas, cenário que detesto vislumbrar, mas que me encara de lá, enquanto eu o encaro de cá. É como se alguma coisa muito boa da vida fosse acontecer após a bagunça. Descobri que creio neste mito - depois da tempestade é que vem a bonança. Descobri que me dedico com afinco a bagunçar o barraco, desde que minha desordem não cause intolerância a ninguém. Descobri que preciso dar uma sacudida na franjinha bem escovada e deixá-la meio punk para ter vontade de rearrumá-la. Não sei a razão, mas sinto uma certa paz estando no olho do furacão da minha antagonista - a desorganização. Talvez porque saiba que, diante dela, o meu melhor reacordará. Talvez porque saiba que, diante de tanto mafuá, me mexerei para reverter o quadro. Talvez porque saiba que este meu emaranhado é também o meu próprio limite. Vou ao meu limite para beber da minha força. Vou ao limite do meu desalinho para, enfim, voltar à calmaria. E não poderia voltar em melhor estilo. Ah, sempre elas. As minhas listas.
Desculpem, amigos, mas se tivermos algum outro compromisso nas próximas duas semanas, é provável que eu fure. Tô com as listas cheias. E me delicio em pensar que, desta vez, vai.
por Juliana Jacyntho, em 3/24/2006 11:18:26 PM
soltando as amarras
Estava eu à procura de uma oficina literária para frequentar quando li, num dos sites visitados, que escrever é um processo doloroso, difícil, sofrido. Desanimei. Fechei a janelinha do meu navegador porque senti que aquilo não era coisa para mim não. Porque comigo sempre foi diferente.
Escrever sempre foi uma maneira de libertar demônios, de verbalizar problemas, de encarar a minha própria personalidade de frente, de dentro pra fora, de fora pra dentro, sempre foi uma troca de percepções minha comigo mesma. Escrever sempre foi o caminho que encontrei para iluminar tantos outros caminhos... e que lanterna boa!
Quando mais jovem, escrevia em cadernos, agendas, guardanapos de bar. Sentada aqui, diante deste computador, sou capaz, através da tecnologia, de dividir com uma multidão desconhecida as minhas verdades de hoje, que amanhã poderão ser apenas palavras já ditas, mas não palavras ao vento. O que está escrito, morrerá escrito, gravado onde foi grafado, gravado na memória de quem, proposital ou acidentalmente, dividiu esta intimidade com você - desvendar seus pensamentos.
Hoje, larguei de lado a caneta colorida com cheiro de morango. Larguei de lado os enfeites que adornavam as minhas idéias inflamadas da adolescência. Larguei de lado as linhas do caderno pautado e a preocupação com a boa caligrafia treinada na escola. Mas não larguei de lado a paixão que me invade, toda vez que uma idéia qualquer cutuca o meu cérebro. Uma idéia qualquer mesmo. Ordinária, tola, vagabunda. Uma idéia de risinho fácil. Ou não. Não importa. Importa é expurgar os resíduos de pensamento que se alojam nos caminhos da nossa cabeça, resíduos de percepções cotidianas que se acoplam às vielas coronárias do sentimento, se é que o sentimento mora só lá. No coração. Dor nenhuma há nesta construção.
por Juliana Jacyntho, em 3/22/2006 06:18:37 PM
e-commerce
Vocês confiam no ser humano? Confiariam num deles cuja fuça nunca viram? Depositariam uma centena de reais na conta corrente do indivíduo desconhecido, em troca de um bem de consumo desejado? Continuariam confiando mesmo depois de algumas semanas de enrolação, respostas evasivas e vasilinices outras (e nada de produto desejado chegando na sua casa)? Pois eu confiei. Estou quase trocando meu nome. De "Juliana" para "Pollyana", aquela menina-moça idealista, quase autista, semi-otária, que não enxergava o verbete "cretinice" em seu dicionário. Pois sou assim: acredito nas pessoas e na boa intenção, até a última ponta de sinceridade que meu interlocutor possa me ofertar. E, como este vendedor de meia-tigela anda me ofertando algumas pontinhas de luz no fim do túnel, ainda, nos e-mails cara de pau que me envia, continuo acreditando no sucesso da negociação. Mundo moderno não é coisa fácil, não é não.
por Juliana Jacyntho, em 3/20/2006 01:02:29 PM
Dia da Mulher
da Folha Online
A idéia de se criar o "Dia Internacional da Mulher" surgiu em 1910, durante uma conferência internacional de mulheres realizada em Copenhague, na Dinamarca. A proposta de homenagear, no âmbito mundial, os movimentos feministas foi aceita por unanimidade pelas mais de 100 mulheres de 17 países que participavam do evento. Na época, as principais lutas eram pelo sufrágio universal e por melhores condições de trabalho.
No entanto, na ocasião, nenhuma data foi fixada para celebrar o dia da mulher. Assim, em 1911, países como Áustria, Dinamarca, Alemanha e Suíça celebraram as mulheres no dia 19 de março. Por outro lado, os movimentos feministas dos EUA continuaram a prestar homenagem à mulher no último domingo de fevereiro, quando era comemorado, desde 1909, o Dia Nacional da Mulher.
Às vésperas da 1ª Guerra Mundial, em 1913, como parte dos diversos movimentos de paz que começaram a surgir na Rússia, emergiu naquele país a primeira comemoração do dia internacional da mulher. Esta aconteceu, assim como nos EUA, no último domingo de fevereiro.
O marco do "Dia Internacional da Mulher" no dia 08 de março aconteceu em 1917, ano em que a Rússia viveu a revolução bolchevique e saiu oficialmente da guerra. Neste ano, em que o país estava destroçado e tinha pelo menos dois milhões de soldados mortos na guerra, as mulheres novamente optaram por celebrar seu dia e protestar pela paz no último domingo de fevereiro.
As russas começaram, então, uma greve geral por "pão e paz" ("bread & peace"). Os líderes políticos do país foram contra o movimento, alegando que era um péssimo momento para o país enfrentar uma greve. Mas elas estavam convictas e seguiram adiante.
Apenas quatro dias depois do início da greve, pressionado pelas manifestações de massa internas e pelo quadro internacional (em plena guerra), o então Czar Nicolau 2º foi deposto do cargo. Ao assumir, o Governo Provisório, liderado por Kerenski --que seria deposto pouco depois pela Revolução Russa-- garantiu às mulheres o direito de votar.
A vitória do movimento feminista na Rússia ficou marcado na História e passou a ser referência no mundo inteiro. O domingo em questão caiu no dia 23 de fevereiro. Na época, a Rússia usava um calendário diferente do ocidental. Este lado do mundo vivia neste dia seu 8 de março.
A partir deste ano o "Dia Internacional da Mulher" passou a ser celebrado no dia 8 de março --como é até hoje. Em 1975, em Assembléia Geral, a Organização das Nações Unidas reconheceu oficialmente a data.
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Papo rápido - revisitando o 8 de março
Tudo bem que muitas mulheres sofreram com a discriminação e lutaram muito para que, hoje, eu possa estar aqui escrevendo o que penso e você possa estar aí lendo o que bem entende. Mas ter um dia específico para comemorar o fato de "ser mulher" não me deixa confortável. Soa discriminatório. Não deveria haver o 'dia da mulher', assim como não existe o 'dia do homem'. Não se comemora o fato de se vir ao mundo macho ou fêmea, mas sim o que machos e fêmeas corajosos e inteligentes deixaram de herança ao mundo. O que essas mulheres russas deixaram foi a conquista de um papel social, antes inexistente. Hoje poderia ser, portanto, o dia do marco do sufrágio feminino, não o Dia da Mulher.
por Juliana Jacyntho, em 3/8/2006 11:52:42 AM
Um país de paradoxos
O Rio de Janeiro continua lindo. E violento. Mas, acima disso, um charme. Carolina, jovem, bela e talentosa atriz, obteve uma liminar na Justiça para que um programa humorístico da televisão não mencionasse o seu nome no ar. Meses depois, a atriz estampa a capa de conhecida revista de fofocas declarando que, no ano que vem, quer engravidar (!?). Jean Charles de Menezes, mais um brasileiro, imigrou ilegalmente para o Reino Unido e foi confundido, num dia de azar, com um terrorista. Foi executado, pelas costas, pela Scotland Yard. Agora, a manchete do jornal carioca anuncia: "Jean Charles, o Popstar". A vida do brasileiro e o seu fim trágico, parece, virará filme. Na mesma semana em que visitei o Rio de Janeiro, folheei a revista de fofocas e li o jornal carioca, também fui a São Paulo, de carro, partindo de Curitiba, através da Rodovia Régis Bittencourt, também conhecida pela alcunha nada convidativa de "Rodovia da morte". Na estrada mal conservada, pasmem vocês, o governo se ocupou de fincar uma placa anunciando: "Pista com Defeito". Poderia ter escrito, além: e vocês, otários, que se virem.
O Rio de Janeiro é uma das cidades turísticas mais visitadas de nosso país, das mais lindas e mais belas e charmosas que já existiram. É a corte, como diz minha sogra, é soberana ainda hoje. É de lá que vêm as tendências do verão. E do outono e do inverno e da primavera também. É o caldeirão cultural brasileiro, amostrinha grátis de cada pedacinho do Brasil, tudo lá. Tanta poesia tem que conviver com guerra do tráfico, tiro que traça o céu do morro como cometa, gente pobre que se espreme de medo no barraco, gente rica que se espreme de medo dentro do apê da beira-mar. Governo? Lá não tem não. Tem um casal brincando de casinha, brincadeira extemporânea. Em se tratando de poder público, esse progresso chamado "seriedade" ainda não aportou por lá, embora tantos outros progressos nasçam naquele berço. Não, não faça questão de entender.
Também não faça questão de entender a razão de ter Carolina recorrido à senhora de olhos vendados para proibir a menção do seu nome pela equipe escrachada do "Pânico na TV" se, ela mesma, não se encabula de dizer a todo Brasil que, até o ano que vem, uma de suas cópulas, provavelmente, lhe renderá um herdeiro. Ora, casais fazem sexo. Casais engravidam. Isso não é novidade para ninguém. Na falta do que dizer aos leitores, Carol preferiu falar de sua vida íntima. Ela mesma, que pleiteou proteção legal quando teve a sua privacidade devassada pela trupe humorística que bisbilhotou o apartamento da atriz, a bordo de um guindaste ou coisa da espécie, há meses atrás. Carol, que a esta altura é Carol, amiga chegada que troca confidências com todo brasileiro que pára na banca de revistas, tem ou não tem o direito de ter a sua mais recatada intimidade resguardada, se ela mesma faz questão de se expôr, assim como tantos outros artistas? Gonzaguinha cantou a pedra há muito: "a gente não está com a bunda exposta na janela pra passar a mão nela". Mas, pelo visto, tem gente que assume o risco, coloca o traseiro na janela, e depois quer reclamar da passada de mão. Eles querem os holofotes da mídia, mas não querem que a mídia levante a saia e revele seus holofotes*. Apenas mais um paradoxo, neste país que insiste em colecionar tantos outros.
Outro responde, por exemplo, por "Jean Charles, popstar". O rapaz foi executado, pessoal! De desconhecido imigrante ilegal a vítima de truculência policial para, ao fim, ser alçado à categoria de popstar. Acho que nem o próprio rapaz estaria satisfeito com o desfecho que deram para a sua história. Talvez ele preferisse estar vivo, ganhando um salário digno e suficiente para custear o seu sustento e de sua família, muito além do feijão com arroz. Comendo bem, morando bem, se divertindo. Talvez ele preferisse ter um dinheirinho qualquer sobrando, que o permitisse comprar ingresso para compor a platéia de uma peça de teatro e dar gargalhadas, ao invés de estar sob a luz de ribalta tão cínica e sórdida. Talvez ele preferisse optar por esta vida hipotética de qualidade que menciono e permanecer em solo brasileiro, lá no interiorzinho de Minas, ao invés de ter que escolher ganhar a vida em terras estrangeiras que tratam o forasteiro fora da lei como gado a caminho do abate.
Gado a caminho do abate somos nós nesta terra de paradoxos, onde paramos para pular, feito joões bobos, uma semana de folia, esquecendo-nos dos marcos valérios da vida. E ainda temos a festa do futebol. E ainda temos pela frente a festa do atestado da sem-vergonhice na cara, aquela que praticamos através da urna eletrônica. A urna, aliás, é uma invenção de um brasileiro criativo, que muito sucesso faz lá fora. Faço votos para que os gringos tenham sucesso não só com a máquina que coleta e contabiliza votos, mas também com seus representantes eleitos. Porque aqui, aqui a coisa anda feia. Eles não nos representam. Eles representam. E podemos dizer que é teatrinho da pior espécie. Há maus atores demais nestas peças públicas. Tratam-nos como pobres idiotas incapazes de distinguir o bem do mal, incapazes de escolher um mandatário que se preze. E isso incomoda. E, para esquecer o incômodo, afoguemos nós as mágoas no verde e amarelo das faxinhas na cabeça e bandeiras em punho na copa de futebol que se aproxima, já que o Carnaval, melhor desculpa que já inventaram para alienação, já acabou.
P.S. Ah, e se possível, não trafegue pela Régis Bittencourt, há defeitos na pista. A placa está lá, avisando aos motoristas. "Consertar pra quê se temos placas? Em ano de eleição, só tapamos buracos, nada de caras obras estruturais que empobrecem os caixinhas de nossas campanhas"! Só rindo. Ou só chorando. Mesmo com tanta coisa fora do lugar, gostaria de desejar um bom início de ano para todos. (início em março? mas o ano não começaria em janeiro?) Apesar do paradoxo, ainda há esperança sincera nesta saudação. Aquele abraço!
*Cultura popular: minha avó, advertindo-nos, quando crianças, que estávamos com os fundilhos de fora, dizia que estávamos com os "holofotes" de fora. Perdoem-me o trocadilho, quis prestar a homenagem.
por Juliana Jacyntho, em 3/2/2006 12:15:55 PM
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