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ter problemas no e-mail, hoje, é como ser gago. comunicação truncada com o mundo, palavras que se perdem no meio das ondas cibernéticas, prejuízos que se espalham nos bolsos assinantes.
por Juliana Jacyntho, em 5/30/2006 11:54:49 PM



reflexões depois do primeiro cabelo branco


[Era só um fiapo de dez centímetros mas trouxe muitos recados. Aos vinte e oito anos, sem filhos, sem maiores estresses, por que raios foi aparecer um fio de cabelo branco no meio da minha nem tão vasta mas meio vasta cabeleira castanha?]

Que não podemos parar o tempo, sabemos nós há muito tempo: ele corre, corre, corre rápido demais. Areinha que se esvai de um lado para o outro da ampulheta sentenciando a verdade que nos aflige: você já não é mais criança. Há muito já não é mais criança. Nem meus filhos são crianças mais. De que adiantam a tinta gasta mensalmente nos fios brancos, os peitos turbinados de silicone, o botox injetado nas faces, as mil e uma sessões de tratamento de rejuvenescimento se você sabe, em algum lugar lá dentro, que há muito já não é mais um broto? Brotos de feijão pra dentro porque "alguém disse que faz bem pra pele". Dieta na segunda para aplacar a maldade do tempo porque este é cruel. O tempo é cruel e soberano. Inútil busca da jovialidade externa eterna porque o tempo é implacável e não está nem aí para os dinheiros que você acabou de deixar na conta corrente do seu cirurgião plástico. Ou do seu esteticista. Ou da sua dermatologista. E o tempo passa rápido pelo portão de casa e, num ato de vandalismo descontrolado, grita aos nossos ouvidos: Gaste, otário! Continue efetuando despensas estas que, na forma de doce paliativo, te enganam com a promessa vazia de trazer-te a juventude de volta. Bad news: se ela já se foi, a juventude, ela não volta. A menos que você saiba armazená-la num compartimento secreto, donde o tempo jamais, em hipótese alguma, a tirará de perto de sua pessoa: o seu cérebro.

Ser jovem, de fato, não está associado a peitos cirurgicamente inflados, corpos esculturalmente sarados, nem tampouco peles aveludadas no melhor estilo "passei por uma faxina no Photoshop". Ser jovem é ter a mente aberta e curiosa, ávida por aprender e conhecer o que há de novo na paróquia sem querer nascer de novo. Ser jovem não é vestir-se como uma ninfeta de quatorze, mas ter vitalidade aos quarenta, aos cinquenta, aos sessenta, conhecendo as limitações do seu próprio corpo, sabendo administrá-las a ponto de transformar algoz em aliado. Ser jovem é estar bem consigo mesmo, em qualquer idade. E se para sentir-se bem a mente pede afagos no corpo e na auto-estima, que venham as tinturas, que venha a faca, que venham as injeções esticantes. Se estar bem da cuca pede peito siliconado, tinta no cabelo, corpo delineado e pele aveludada, a césar o que lhe pertence. Há muito já disseram que mente sã sobrevive em corpo são e vice versa. Discursos intelectualizados à parte, ser jovem é se amar. E, em matéria de amor-próprio, cada um sabe onde é que mora o seu ponto G.

No fundo, tratamentos de beleza talvez não sejam apenas frivolidades de quem quer, em vão, apagar de sua mente o tempo que passa, ou se enganar que o tempo não está passando. A gente quer apenas sentir prazer com a nossa própria companhia diante do espelho, por dentro e por fora. Para isso, talvez um bisturi seja tão necessário quanto é ler um bom livro. Ambos trazem pra perto alguma jovialidade. Ambos massageiam o ego, só que em lugares completamente diferentes. Ao fim, mais uma vez, "faz bem quem se faz bem".
por Juliana Jacyntho, em 5/22/2006 05:19:34 PM



18/05/2006 = 2 anos de blog



balanço de dois em dois


Dois anos. O que cabe neste espaço de tempo que, para uns, é curto, e, para outros, uma vida? Muitos acontecimentos, muitos assuntos discutidos, muitas experiências vividas, outras descartadas, vários templates, inquietação, calmaria. Nos últimos dois anos, muitos assuntos foram abordados aqui neste blog. Ora, reflexos de atualidades, nada animadoras: muita guerra, terrorismo, violência, truculência, ignorância. Muita corrupção em nosso país, muita falta de vergonha na cara, muita vulnerabilidade do povo que segue rindo de nervoso diante de tanta desorganização política e social, panorama aparentemente sem remédio. Ora, sentimentalidades. Alguns deixaram a vida, outros nela chegaram. Uns continuam passando os dias na pressa, outros resolveram desopilar. Amores solidificaram-se, paixões tiveram seu fogo apagado por um balde d'água gelada jogado a esmo pelo vizinho do andar de cima.

Pra mim, nestes dois anos, muita coisa aconteceu: casei com o amor da minha vida, festa linda, recheada de pessoas queridas brindando à nossa felicidade. Conheci a cidade dos meus sonhos, New York, com a companhia mais perfeita, meu "marido", palavra que me acostumei a utilizar para chamar aquele que era meu namorado (maridos são namorados para sempre). Mudei de cidade, deixando pra trás, na história, dez anos de vivência na cidade maravilhosa que, cá entre nós, não tem merecido a fama. "Fixei residência" em Curitiba, cidade fria de gente muito querida, desmistificando, assim, aquela historinha de que o curitibano é antipático - aqueles que cruzaram meu caminho nestes oito meses têm me feito crer que gente boa, prestativa e solícita, assim como gente chata, infeliz e antipática você encontra em qualquer cidade! Nestes dois anos, arrumei um emprego maravilhoso, me despedi deste emprego maravilhoso sob uma chuva de lágrimas. Umas, gotas de gratidão, outras, de saudades antecipadas. Nestes dois anos, arrumei um outro emprego nem um pouco maravilhoso, mas que, diante do nada de agora, começo a pensar que era suportável. Nada como o tempo. Nestes dois anos, cresci mais um pouquinho. Nem pra cima, que minha idade não mais me permite este luxo, nem tampouco para os lados porque a vergonha na cara ainda não me abandonou. Mas por dentro. E a sensação de que "viver e aprender vale a pena" é boa.

Há cinco anos, eu talvez nem soubesse como funcionava um blog. O primeiro blog que conheci foi o EPE - Elas por Elas, que um ano e pouco depois acabou. Pois de dois anos pra cá, o meu blog existe, nele publico o que sinto, penso, o que observo. O que outros sentem, pensam, observam e dividem comigo. O que me indigna, o que me apaixona, o que está no ar, o que parece estar sob o tapete da sala de jantar. Tudo na forma de crônicas, contos, textos, que escrevo, reviso, e tenho o imenso prazer de compartilhar aqui com vocês. Que venham mais dois, dez, sei lá quantos anos. Tudo que é bom dura o tempo que precisar ou puder durar, enquanto a gente quiser, enquanto ainda for bom. E tem sido muito bom. E será ainda melhor. Para todos que visitam o blog, obrigada!!!





À Déa, do Rango na Madrugada, special tks, por nunca deixar um post sem comentário - nesta última semana que passou, todos os posts tinham apenas um comentário e eram da Déa! Obrigada =)

À Ana Luísa, por ter feito aniversário ontem e por estar por aqui sempre, comentando, participando, desde o primeiro dia!!!

E à Patileine e Man in the box, os únicos que remanescem por aqui, da minha lista de links postada no primeiro dia, obrigada também, são dois anos "nos" lendo. Ah, e por falar em links antigos, devo ter esta lista guardada em algum back-up por aqui. Como resolução de aniversário de dois anos, vou dar uma espiada em todos os blogs para matar as saudades, ver quem ainda vive e, re-atualizar a minha lista de agora. E por falar em resolução de dois anos, retirei do blog a janela de comentários Haloscan, pois os comentários estavam sendo apagados pelo servidor deles. Àqueles que tinham postado comentários, peço desculpas, mas não teve outro jeito - entre ficar com uma janela de comentário bonitinha e ordinária e outra simplinha mas eficaz, escolho a segunda.

"Balanço de Dois em Dois: porque de dois em dois segundos ou de dois em dois anos, a cabeça pede uma vasculhada, assim como nossas bolsas, gavetas, disquetes, Pc's, dentre outros compartimentos..."

P.S: E você? Qual o seu balanço dos últimos dois anos?
por Juliana Jacyntho, em 5/18/2006 01:25:28 PM



15.5.06 12:56 PM

pitadas de conforto e razão


Em respeito ao bom-senso, necessário à manutenção saudável das relações cotidianas, respeito todas as religiões que conquistam a fé dos povos. Roubo um pouquinho do que me seduz em cada uma delas e componho um altar particular, meu, só meu, que a mim conforta e estimula a acordar todo dia com respostas a tantos por quês. Rezo à noite, sou devota fervorosa de santo, medito - ou, pelo menos, tento. Já comprei livros sobre a tal da impermanência humana, já tomei passe em centro espírita respeitado, fazer o quê se sou curiosa e aceito de bom grado o que me soa pleno de bondade, não importa donde vem? Sou batizada, fiz primeira eucaristia de vestido branco e, anos depois, com outro vestido branco no corpo, subi ao altar da igreja da minha santa de devoção para jurar amor eterno ao homem que amo. Vou por aí experimentando o que me parece acalentador e cheio de energia positiva. Mas a pergunta maior, em que pese a importância de todas as teses compradas pela humanidade, em que pese este mesmo respeito que nutro por todas elas, ainda ninguém conseguiu me responder. Por que a vida é tão intensa, por que a gente se consome tanto, por que o imediatismo insiste em latejar dentro da gente, por que tanta cobrança por sucesso, realização e cumprimento de metas impostas pelo nosso modelo de sociedade se, ao fim, tudo é poeira?

Que todo mundo se pergunta aonde vai dar esta brincadeira, ah, se pergunta! Uns em alto e bom som, outros em silêncio. Há aqueles que nem percebem que se perguntam - qual o sentido dessa maratona, tamanha a velocidade da correria que imprimem aos passos dados nos seus dias. Pois eu sou do tipo que me pergunto a razão de estar aqui. Qual a razão de lutar, sofrer, chorar, vencer, sorrir. Me pergunto em alto e bom som. E exijo da vida respostas claras, objetivas.

Já me senti culpada por não acreditar em vida eterna no céu, após a morte, diante da repulsa dos meus educadores de forte influência católica. Já recebi olhares de censura de amigos espíritas, diante da tentativa de explicar porque acredito que reencarnação seja uma tese belamente construída por um bom homem que, imbuído de vontade de apaziguar a dor causada pelo fim da vida de gentes queridas, escreveu sobre a volta destas gentes à vida, amenizando o desconforto causado pela perda. Eu já sofri a morte de uma gente querida. E custo a acreditar que ele voltará aqui um dia. Muito menos voltará em forma de bobo da corte ou cigana catalã. Ele foi único e a experiência de conviver com ele foi, igualmente, única. Não há replay.

Os santos, aos quais rogo preces, deixaram energias quando viveram na Terra, por isso rezo e interajo com elas. Aquele senhor de voz calma, vestido de branco, que esfrega as suas mãos ao redor do meu corpo, na hora do chamado "passe", está gerando a mais pura corrente de energia. Da mesma forma, quem passa na vida da gente e vai embora, não vai embora por completo, deixa no ambiente partículas de energia, geradas ao longo de sua existência. Esta tem sido, sim, para mim, o sentido da vida: a energia que deixamos de legado para quem nos cerca. Não posso afirmar com crença forte se vou pro céu, pro inferno ou pro purgatório. Também não posso afirmar com crença forte que volto daqui a sessenta anos para cumprir meus "carmas" no corpo da minha bisneta. Mas possso afirmar com confiança que o fim da minha vida será o reflexo do que eu construo agora. São meus atos, meus fatos, minha existência. Pra mim, quem morre, não volta, simplesmente porque não se foi. Quem morre, invisivelmente, está aqui ainda: a cada citação de seu nome e de seus feitos, na forma de ensinamentos, de maravilhosas lembranças. Na forma de energia.

Vida eterna, de fato, existe, mas é aqui mesmo, nestas redondezas. Não no céu, nem no inferno, muito menos no purgatório, alegorias criadas na idade média para amedrontar o homem daquela época. Voltar numa outra vida, sinceramente, não me apetece. Só de pensar, cansa. Não me conforta pensar em voltar à vida vestindo "outra roupa", com uma outra história, numa outra cidade. Com tantas diferenças, se pensar bem, esta volta não será minha, será de uma outra pessoa. O fato é que: eu estou aqui, você está aí. Viver é aqui e agora. A hora de ser bom é aqui e agora. A hora de fazer o bem é aqui e agora. A hora de chorar, de sofrer, de crescer, de aprender, de perdoar, de beijar, de demonstrar o carinho que sentimos por todas as coisas e pessoas, é agora. Porque este é o sentido da vida. E o resultado do que fazemos aqui é o que será conhecido como "nós" para o mundo, depois que o corpo dormir para sempre. Do corpo, muitos se esquecerão, mas da bondade, da generosidade e do sorriso aberto, provavelmente, não. Agora, quando eu voltar a me perguntar a razão de estar aqui, já tenho um ensaio de resposta para dar para este sujeito desconfiado que é o meu cérebro. Ao fim, tudo pode ser poeira. Mas não serão partículas inertes.
por Juliana Jacyntho, em 5/17/2006 10:35:01 AM



no mundo da Lua


Sonhei que andava pulando pelas ruas, tal como fazia quando era criança. Mas no sonho eu era adulta já, como agora. E cantarolava não aquelas cantigas infantis, mas uma das minhas músicas prediletas... Sonhos assim fazem com que acordemos mais alegres e dispostos. Sonhos assim, preenchidos de emoção boa, nos permitem acreditar, ao acordarmos, que o dia que está por vir pode ser, ele mesmo, um sonho, de tão feliz e contente.

Fly me to the moon
And let me play among the stars
Let me see what spring is like
On Jupiter and Mars
In other words hold my hand
In other words darling kiss me
Fill my life with song
And let me sing forevermore
You are all I hope for
All I worship and adore
In other words please be true
In other words I love you
por Juliana Jacyntho, em 5/10/2006 12:56:26 PM





Em branco


Pura ironia. Quando estive em Nova York, em setembro do ano passado, por ocasião da minha deliciosa lua de mel (sim, de mel!), "posei" ao lado desta tela em branco com o espírito imbuído de ironia: como uma tela em branco ocupava alguns dos metros quadrados mais valiosos no mundo da arte mesmo sem ter, aparentemente, o que dizer, já que estava ali, pendurada na parede, absolutamente em branco?

Oito meses depois, enxergo que nada como o tempo que passa e nos permite lançar mão da dialética para perceber coisas, pessoas, textos, lugares e, mesmo uma tela em branco, diante de uma nova perspectiva.

Engoli a ironia e fiz questão de ilustrar este post com a fotografia acima porque, eu mesma, hoje, prefiro olhar uma tela em branco que outras tantas, demasiadamente coloridas. Minhas vistas estão cansadas. Estou cansada do caráter corporativo que imprimiram a todas as coisas, antes puras, simples e alheias a aprovações terceiras. Talvez o artista da tela em branco também estava sentindo este mesmo incômodo.

Pintar uma tela em branco é como pedir um tempo. Não o tempo infantil dos casais adolescentes, mas o tempo estratégico dos treinadores esportivos. Quem sabe depois deste momento de total abstração, de desfocagem - antagonismo ao mantra cansativo do sucesso moderno: foco, foco, foco - o artista tenha se inspirado a manejar outras cores.
por Juliana Jacyntho, em 5/9/2006 03:05:45 PM



silêncio, por favor


Ela era assim. Mais boneca que mulher. Recheio de estopa vagabunda quando precisava ser de fibra. Lágrimas fáceis que lhe corriam o rosto, subterfúgio do qual aprendeu a lançar mão, ainda criança, para sensibilizar seus algozes. Os de agora são duros e não querem saber de choro nem velas. No meio do círculo iluminado, ela está deitada, tal como os defuntos, sem vida, sem brilho, nem frescor. Congelada pelo medo e pela frustração trazidos na constatação de que seu tempo passou. Gelo derretido pelo fogo das velas espalhadas pela sala, ritual de reiniciação. As mesmas velas que seus algozes repudiaram noutra vez. Reinventa os objetos, reinventa o próprio caminhar e dá início ao fim de uma vida, partindo para outra. Ela se despede do que sempre foi e sempre tanto odiou - sua preguiça de pensar, sua ironia com as conquistas alheias, seu irremediável complexo de inferioridade. Deixa de lado o cinismo e decide viver de verdade. Arriscar-se, machucar-se, deixar correr o sangue pelo corpo quando for inevitável. Assim como aconteceu com as veias de sua mão esquerda, esguicho de denso líquido vermelho, quando decidiu espancar a socos a redoma que a isolava da realidade. Hoje, ela anda por aí. Talvez tenha cruzado contigo na plataforma do metrô... mais uma na multidão. E você nem imagina o quanto lhe custou aprender a caminhar com as próprias pernas. Horas de silêncio.

Já disseram que cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é. Nem sempre. Nem sempre conhecemos todas nossas dores, nem todas nossas delícias. Muito menos as dos outros. Na pressa de viver assim, de qualquer jeito, quem é que tem tempo de sentar para escutar verdades e devaneios alheios se nos falta vontade de perceber e desvendar as nossas próprias mazelas? Expurgar sentimentos ruins racionalizando-os pra quê se temos os sapatos? Reconhecer fraquezas e compreendê-las pra quê se podemos falar sobre a festa de ontem, que tava bombando? Abrir mão da postura infantil nas relações com que razão, se minha cabeça anda por demais ocupada com minha próxima viagem de férias? Todas estas deliciosas frivolidades que propagamos e absorvemos tentam, em vão, abafar os momentos de quietude que vem, certeira, depois da ebulição.

Foge-se o tempo inteiro do que dói e incomoda porque dor e incômodo não são bonitos nem publicáveis, nem dão manchete, nem estimulam uma conversa bacana. Aliás, bacana mudou de significado... convencionou-se que admirável é ser uma beleza de plástico, ter um sorriso branco reluzente, uma pele alva e brilhante tal como tratada no photoshop e o pior: emanar da boca pra fora palavras amenas e rasas, se possíveis com pitadas de viagem ao exterior e novas aquisições mercadológicas de última geração. Papo-cabeça em rodas sociais é coisa de gente chata, muito anos sessenta. Hoje ninguém sai de casa para ser alçado à condição de psicanalista de ocasião em festa borbulhante. Em meio a borbulhas, música alta, risadaria e muita contação de vantagem, ninguém sente-se impotente, nem triste, nem falido, nem fraco, nem incompetente. E faltam originalidade, sinceridade, conversas com início, meio e fim. É tudo lindo, bem-sucedido e feliz.

Volta-se para casa e o silêncio e o vazio que ecoam no cérebro e no coração incomodam. Não estão acostumados a ficarem sozinhos com seu dono. Sua única presença na sala lhe incomoda. Pois solidão e silêncio pedem pensamento. Só não pedem se familiares, coisa para quem os acaricia diariamente. Liga o rádio, a tevê, telefona para o parceiro de balada para comentar sobre a gostosa que pegou na pista. Papo besta pra trás, volta o silêncio, de novo. Insuportavelmente quieto. Ele senta e chora. Não se recorda desde quando deixou de ser o seu melhor amigo. Desde a adolescência, talvez, quando sentava no chão do seu quarto e, suspirando, apenas desejava conquistar a loirinha, seu primeiro amor. Época de desejos puros, simples, factíveis. Ele deseja com tanta força a volta da simplicidade de quereres e o banimento da artificialização do seu discurso poroso e de sua postura ensebada que, quando percebe, sente-se completo diante da paz do silêncio em paz com a sua única presença.
por Juliana Jacyntho, em 5/4/2006 11:35:25 AM



mantra

"tudo é uma questão de manter a mente quieta, a espinha ereta e o coração tranquilo"

Walter Franco, Serra do Luar
por Juliana Jacyntho, em 5/3/2006 03:53:24 PM



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