Resiliência
Lá fora, um sol escaldante e atípico nesta terra gelada ilumina o passeio. Aqui na sala, passeio por dentro dos meus pensamentos e sinto um frio no estômago, uma vontade, assim, de sair correndo, em busca do lugar ao sol que acredito meu, mas que ainda não veio. E me pergunto quanto tempo ainda vai demorar para que ele chegue. Sei que ele não virá só, espontaneamente. Tenho que chamá-lo, sussurando ou berrando, tenho que chamá-lo. Só assim ele virá - rapidamente, como a mudança de temperatura verificada nestes dias; ou lentamente, tal como cai a chuva fina e entediante. Lento e entediante: quero não, nunca quis, nunca aprendi a querer. Mas o que é o querer quando suportar é preciso para crescer?
Tempo.
Saber deixar ele correr e saber manter o foco, mesmo após uma puxada de tapete, fazem a diferença. Lançar no lixo a bolinha da afobação, amassadinha feito papel, assim, para não dar chance de desdobramentos futuros, idem. Aguardar os resultados que são esperados, sem desistir do fim, também. Assim como cultivar a capacidade que poucos, muito poucos desenvolveram: a de sorrir, mesmo depois de um inesperado tapa na cara. Sem falsidade nem ironia, mas por pura vocação. Porque a gente é de sorrir. Sempre. Mesmo depois de um tapa na cara. E assim, ao fim, os sábios e bravos que dão a cara à tapa, é que sorriem e vivem mais.
por Juliana Jacyntho, em 9/13/2006 01:27:20 PM
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