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Tudo bem, eu vou bem, tudo bom


Desistir de um projeto, seja ele qual for, sempre é doloroso. O tempo e energia gastos no processo de amadurecimento da idéia de desistir aflige, causa aperto no peito, ansiedade e dúvida. E se eu estiver desistindo daquilo que eu nasci para fazer? E se eu estiver desistindo da pessoa que pode ser a minha cara metade? E se eu estiver desistindo de um sonho acalentado por anos e anos, que exigiu investimento físico, emocional e financeiro enquanto pontuou os meus dias? Como é que faço para desistir de algo assim tão importante que chegou a, um dia, ser a tônica dos meus dias? Assim: porque passou a te fazer infeliz, você pega e larga de mão. Abandona. Deixa dormir. Parte para outra etapa. Muito consciente. Muito de caso pensado. E se conforta quando constata que aquilo que você deixou para trás, seja um trabalho, um projeto, um namorado, podia até significar uma razão de viver lá no início da fita, mas hoje não significa mais. Para uns, você desistiu, deu pra trás, não segurou a pressão. Para outros, você fez uma opção de vida: enxergam que você, de fato, ao ter desistido, estava se permitindo viver outras experiências, estava abrindo outras portas, estava optando por ser feliz, por fazer o que gosta, por estar com quem preza.

Quem desiste, muito comumente, é tachado de covarde. Não teve colhões para segurar a onda, pensa quem assiste àquele que desiste. Desistir tem conotação negativa. Optar não. Optar sugere liberdade de escolha, determinação, discernimento. Sugere que, antes de optar, a gente pensou muito e pesou prós e contras, estudou a estratégia, partiu pra outra com segurança. Quem desiste, muito comumente, se ressente, se explica, se justifica: Ai, larguei sim o curso, mas estou super realizada no trabalho voluntário. Quem desiste tenta dar explicações de seus rumos ainda que o seu interlocutor deles não pergunte. Veste a carapuça. Quer passar a ficha corrida de seus dias. E, de repente, o coitado que entoou um singelo tudo bem? é soterrado com um bombardeio de informações, sem saber que o seu cumprimento sutil fez inflar no outro aquela necessidade de se explicar. Que bobeira.

Geralmente quem pergunta como vai? o faz por educação ou mero protocolo, quer não saber se você encontrou um emprego maravilhoso depois daquela sua mal-sucedida tentativa de cursar teatro. Talvez ele nem saiba que tenha sido mal-sucedida. Mas você se atropela na necessidade de auto-afirmação e entrega suas conclusões sobre seus passos. A ânsia pelas explicações está dentro de quem se explica. Que bobeira.

Que o ser humano é bobo a gente sabe. É bobo quando ri de uma piada tosca, quando ri do outro que passa e escorrega, quando assiste a programas pastelão na tevê e se escangalha de rir. Temos sim vocação pra bobeira. Mas temos que admitir que uma das nossas maiores tolices é ficar se explicando o tempo inteiro, ainda que não instados a fazê-lo. Remédio bom pra isso talvez seja olhar para trás e tentar enxergar onde nasceu tanta necessidade de verbalizar tantos porquês. Tentar compreender a real motivação dos nossos atos e aceitá-los, na paz. Talvez assim aprenderemos a optar mais e a desistir menos.

Publicado em 15/06/2005.
por Juliana Jacyntho, em 3/22/2007 12:44:24 AM



Cidade LP


A cidade partida é assim: como um disco velho, LP, bolachão. Lado A e lado B. No lado A repousa Sophia, quarentona requintada, educada na Suíça, onde conheceu seu marido Johannes, grande executivo de uma multinacional. Seus aposentos: uma ampla e bem decorada cobertura de frente para o mar de Ipanema, pedaço do paraíso avaliado como um dos metros quadrados mais caros da redondeza.

Do outro lado, o B, repousa Marta, quarentona esforçada, mãe de quatro filhos, batalhadora, do tipo que rala para complementar a renda familiar junto a Raimundo, seu marido, porteiro. Ela? Diarista.

Toda quarta, as duas partes da cidade se encontram. Sophia e Marta. E então a cidade já não é mais tão partida assim: é junta. Juntas, elas passam o dia, quando Marta aparece para a faxina. Faxina à qual também se dedica Sophia: em seu closet. Mesmas tarefas, e então a cidade já não é mais tão partida assim. Sophia doa roupas, sapatos, lençóis, toda a sua produção excedente para Marta. E se conforta com seu ato de generosidade. Marta agradece e não se distrai, afinal, hoje é dia de bater a poeira dos tapetes da patroa, lá em cima, no terraço. Faz debruçar os persas de Sophia no parapeito, assim, para pegar um sol, aliás é isso que se faz aqui em Ipanema, vai-se à praia, pega-se um sol e toma-se um agüinha de coco, diverte-se Marta. Nesse meio tempo, ela lembra que, quando lava a roupa de sua família e dependura para secar, faz o maior sucesso: seu varal é o mais chique do morro. Só coisa de grife. E então a cidade já não é mais tão partida assim: roupa cara lavada, secando na corda do barraco.

Nova quinta feira que chega, novo dia de faxina que se anuncia, pensa Sophia. Mas Marta não vem. Marta não aparece. Marta não dá as caras. Marta não deu notícias. Sophia pensa em ligar para saber o que, de fato, aconteceu, já que a diarista nunca falta sem avisar. Mas nem precisou tocar no telefone. A vizinha de Marta, aquela mesma que tinha morrido de inveja dos belos lençóis e roupas finérrimas de antes, apareceu na cobertura para comunicar aos patrões da amiga que um de seus quatro filhos, o de dezesseis, o Uellington, aquele magrinho, levou um tiro de bala perdida no tiroteio que teve no morro, na noite passada, e ia ser enterrado agora à tarde. Foi por isso que a Marta não veio, dona. Mas ficou preocupada de fazer desfeita, lembrou da senhora e pediu para eu correr aqui para avisar.

E então a cidade partida ficou tão partida, tão partida, que Sophia sentiu-se morando no Japão. Mas não era Japão, era a cidade partida. Lado A e Lado B. E então Sophia pôs-se a chorar.

18/04/2005
por Juliana Jacyntho, em 3/22/2007 12:40:21 AM



pitadas de conforto e razão


Em respeito ao bom-senso, necessário à manutenção saudável das relações cotidianas, respeito todas as religiões que conquistam a fé dos povos. Roubo um pouquinho do que me seduz em cada uma delas e componho um altar particular, meu, só meu, que a mim conforta e estimula a acordar todo dia com respostas a tantos por quês. Rezo à noite, sou devota fervorosa de santo, medito - ou, pelo menos, tento. Já comprei livros sobre a tal da impermanência humana, já tomei passe em centro espírita respeitado, fazer o quê se sou curiosa e aceito de bom grado o que me soa pleno de bondade, não importa donde vem? Sou batizada, fiz primeira eucaristia de vestido branco e, anos depois, com outro vestido branco no corpo, subi ao altar da igreja da minha santa de devoção para jurar amor eterno ao homem que amo. Vou por aí experimentando o que me parece acalentador e cheio de energia positiva. Mas a pergunta maior, em que pese a importância de todas as teses compradas pela humanidade, em que pese este mesmo respeito que nutro por todas elas, ainda ninguém conseguiu me responder. Por que a vida é tão intensa, por que a gente se consome tanto, por que o imediatismo insiste em latejar dentro da gente, por que tanta cobrança por sucesso, realização e cumprimento de metas impostas pelo nosso modelo de sociedade se, ao fim, tudo é poeira?

Que todo mundo se pergunta aonde vai dar esta brincadeira, ah, se pergunta! Uns em alto e bom som, outros em silêncio. Há aqueles que nem percebem que se perguntam - qual o sentido dessa maratona, tamanha a velocidade da correria que imprimem aos passos dados nos seus dias. Pois eu sou do tipo que me pergunto a razão de estar aqui. Qual a razão de lutar, sofrer, chorar, vencer, sorrir. Me pergunto em alto e bom som. E exijo da vida respostas claras, objetivas.

Já me senti culpada por não acreditar em vida eterna no céu, após a morte, diante da repulsa dos meus educadores de forte influência católica. Já recebi olhares de censura de amigos espíritas, diante da tentativa de explicar porque acredito que reencarnação seja uma tese belamente construída por um bom homem que, imbuído de vontade de apaziguar a dor causada pelo fim da vida de gentes queridas, escreveu sobre a volta destas gentes à vida, amenizando o desconforto causado pela perda. Eu já sofri a morte de uma gente querida. E custo a acreditar que ele voltará aqui um dia. Muito menos voltará em forma de bobo da corte ou cigana catalã. Ele foi único e a experiência de conviver com ele foi, igualmente, única. Não há replay.

Os santos, aos quais rogo preces, deixaram energias quando viveram na Terra, por isso rezo e interajo com elas. Aquele senhor de voz calma, vestido de branco, que esfrega as suas mãos ao redor do meu corpo, na hora do chamado "passe", está gerando a mais pura corrente de energia. Da mesma forma, quem passa na vida da gente e vai embora, não vai embora por completo, deixa no ambiente partículas de energia, geradas ao longo de sua existência. Esta tem sido, sim, para mim, o sentido da vida: a energia que deixamos de legado para quem nos cerca. Não posso afirmar com crença forte se vou pro céu, pro inferno ou pro purgatório. Também não posso afirmar com crença forte que volto daqui a sessenta anos para cumprir meus "carmas" no corpo da minha bisneta. Mas possso afirmar com confiança que o fim da minha vida será o reflexo do que eu construo agora. São meus atos, meus fatos, minha existência. Pra mim, quem morre, não volta, simplesmente porque não se foi. Quem morre, invisivelmente, está aqui ainda: a cada citação de seu nome e de seus feitos, na forma de ensinamentos, de maravilhosas lembranças. Na forma de energia.

Vida eterna, de fato, existe, mas é aqui mesmo, nestas redondezas. Não no céu, nem no inferno, muito menos no purgatório, alegorias criadas na idade média para amedrontar o homem daquela época. Voltar numa outra vida, sinceramente, não me apetece. Só de pensar, cansa. Não me conforta pensar em voltar à vida vestindo "outra roupa", com uma outra história, numa outra cidade. Com tantas diferenças, se pensar bem, esta volta não será minha, será de uma outra pessoa. O fato é que: eu estou aqui, você está aí. Viver é aqui e agora. A hora de ser bom é aqui e agora. A hora de fazer o bem é aqui e agora. A hora de chorar, de sofrer, de crescer, de aprender, de perdoar, de beijar, de demonstrar o carinho que sentimos por todas as coisas e pessoas, é agora. Porque este é o sentido da vida. E o resultado do que fazemos aqui é o que será conhecido como "nós" para o mundo, depois que o corpo dormir para sempre. Do corpo, muitos se esquecerão, mas da bondade, da generosidade e do sorriso aberto, provavelmente, não. Agora, quando eu voltar a me perguntar a razão de estar aqui, já tenho um ensaio de resposta para dar para este sujeito desconfiado que é o meu cérebro. Ao fim, tudo pode ser poeira. Mas não serão partículas inertes.
por Juliana Jacyntho, em 3/22/2007 12:36:50 AM



auto-ajuda é 'auto' mesmo?


Não me recordo desde quando a categoria literária denominada auto-ajuda surgiu no mercado. O fato é que exemplares que se dedicam a traçar caminhos de felicidade e realização cada vez mais são apontados como best-sellers, campeões puro-sangue de vendas. Uns ensinam a ganhar dinheiro, através do desenvolvimento de técnicas de empreendedorismo. Outros, ensinam a falar em público de forma sedutora. Há aqueles, ainda, que se propõem a ajudar no atingimento de sonhos pessoais. Não podemos esquecer das listas: 100 maneiras de não enxergar o chefe chato, Os 1258 segredos das pessoas felizes e os 7 mandamentos da harmonia no amor baseados na filosofia oriental! E tem também aqueles que ensinam o pobre do leitor a respirar. Sim, respirar melhor. Vai ver que este público alvo anda afixando um prendedor de varal no nariz. Muitos são os escopos dos chamados livros de auto-ajuda. Sem prolongar o assunto, posso dizer que nada (quase nada) tenho contra eles (alguns deles). Consigo contar, inclusive, aqui na minha prateleira, uns três do gênero, um comprado ao acaso e dois ganhos e aceitos de bom grado, afinal quem se prontifica a ler até bula de remédio não é doido de recusar livro. Mas a dúvida que paira é a seguinte: por que razão convencionou-se chamar os livros intencionados a motivar o ser humano de "auto-ajuda" se a ajuda em questão vem de fora?

Numa primeira passada d'olhos a resposta parece simples: é auto-ajuda porque, ao ler o conteúdo de tais publicações, a gente se propõe a produzir o nosso melhor. A gente é estimulado, através daquela leitura, a colocar em prática as verdades trazidas por aquelas linhas, tin-tin por tin-tin, na esperança de vermo-nos livres de um incômodo qualquer que o passo-a-passo do livreto se compromete a afugentar, propaganda às vezes pra lá de abusiva e enganosa. Seguimos acompanhando o tal manual, como se fôssemos crianças, responsáveis e aplicadas, cumprindo com orgulho as tarefas que a tia do colégio prescreveu fossem feitas em casa. Igualmente como quando éramos pequeninos aprendizes do todo da vida, aprendizes ainda somos. Tal como ninguém nasce pronto, me parece que ninguém morre pronto: estamos sempre em busca de estímulos externos que nos provoquem a reação, o movimento, o pensamento, algo que passe um lápis de cor no dia cinza, daí o surgimento do nicho poderoso da auto-ajuda e a sua sedimentação no mercado literário.

Sei sorrir e respirar. Fazê-los, é só querer. É até fácil. Posso falar bem em público ou não, se assim eu desejar com força e dedicar-me ao treinamento desta arte. Ser feliz é uma opção, quer eu queira, quer não. Sair da acomodação e implementar na vida prática a estrutura necessária para a viabilização dos sonhos que acalento também dependem da minha vontade e da minha levantada de traseiro. Contribuir para o êxito dos relacionamentos diários também está intrinsecamente ligado à minha vontade: ou eu quero criar um ambiente de paz em casa e domar o espírito de porco e a TPM e o mau-humor matinal, ou não; ou eu desejo integrar uma equipe de trabalho colaborativa e munida de disposição alegre, e me esforço para contribuir para a manutenção deste clima positivo, ou não. Somos nós que queremos. Somos nós que decidimos se é na terça ou na quarta, no mês que vem ou no dia de são-nunca, que vamos virar a mesa e espantar pra bem longe o que incomoda. Eu me auto-ajudo o tempo inteiro. Aliás, sou uma das minhas melhores amigas quando quero. E quando não quero, ou melhor, quando não enxergo o que quero por preguiça e acomodação, escolho outras ajudas, assim como você. Ajudas fáceis em linhas simples, nada muito rebuscado para não forçar o cérebro em dias já difíceis. Ajudas que vêm de fora e que me movimentam em prol do meu próprio querer e que me fazem reconhecer e acreditar que a força está aqui dentro. A força está e sempre esteve aqui, aí dentro. Salvo experimentos paranormais que desconheço, da simples leitura de um livro e pipocas de idéia, nada muda no mundo. A mudança vem com a ação. E a ação começa com a ordem que meu cérebro emana para algum membro do meu corpo se mexer. Eureka! Me pergunto se quem nos 'auto-ajuda' também consome esta paradoxal 'auto-ajuda de fora', tal como os psiquiatras que levam dez anos deitados no divã para serem considerados analisados, absolvidos e aptos a repetir o ritual com terceiros não iniciados.

Não me lembro nem tenho notícias sobre quem começou a explorar o filão da auto-ajuda, mas foi alguém com tino comercial muito aguçado. Alguém que enxergou dentro de si mesmo ou do seu vizinho uma preguiça danada de tocar a vida pra frente por si só e resolveu pôr no papel o seu "manual de rompimento da inércia para dias melhores". E ele leu e gostou. E o vizinho leu e gostou. E a cidade inteira brindou ao sucesso da obra que espanou as teias que se alojavam nos cérebros àquela época. Pode ter sido alguém que leu a máxima 'sonho que se sonha só é só um sonho que se sonha só, mas sonho que se sonha junto vira realidade' e pensou: sonhemos - e implementemos - juntos, ora pois! Alguém que vibrou demais por ter enxergado uma luz no fim do túnel e quis dividi-la com quem ainda habitava a caverna. Alguém que, diante de tanta clarividência, lucidez e coerência de idéias, pensou-se capaz de mudar o mundo e a vida do mundo, mas preferiu deixar o mundo acreditar que ele, mundo - o povo todo, estava mudando por sua própria inteligência e sagacidade, auto-ajudando-se. Nós, povo, temos esta sede cega de acalento, esta ânsia por alguém que nos mostre o caminho das pedras, esta carência dolorida de criança de abrigo, agarrando na perna daquele que repete o óbvio ou o que mais queremos escutar. Nós, povo, prestigiamos quem nos ajuda a olhar para dentro da gente no meio do caos moderno, mesmo que seja para relembrar a execução de tarefas que nosso corpo já realiza involutariamente, como inspirar e pôr pra fora o vento. Precisamos que alguém de fora nos aponte o caminho a ser tomado, mesmo sabendo que o mapa para a grande maioria dos destinos desejados sempre esteve tão aqui dentro. Quão tolos somos! Quão tolos somos... Quão tolos somos?

Publicado em 17/04/2006
por Juliana Jacyntho, em 3/22/2007 12:34:33 AM



Circo noir

Respeitável público, fiquei consternada com a notícia de que, hoje, falecera o palhaço Carequinha. Carequinha, ao lado de outros palhaços, como o saudoso Arrelia, fez a alegria de muitas gerações, explorando o humor simples, inocente e despretensioso. As manchetes, ao anunciarem o sono eterno do ídolo, chamaram-no de 'último palhaço' do Brasil. Engana-se a imprensa, no entanto. Carequinha pode, sim, ter sido o útimo palhaço do Brasil, mas o último palhaço do 'circo branco'. Outros palhaços, infelizmente, ainda temos muitos. Esqueceram-se os jornais do circo macabro e negro no qual se transformou a política nacional, cheia de artistas sob a luz da ribalta candanga, que ainda insiste em brilhar no picadeiro da capital federal, brilho este ainda mais reluzente depois dos muitos milhões gastos na reforma do palhaço da alvorada. Digo, do Palácio da Alvorada.

Hoje tem marmelada? Tem sim, senhor! Tem marmelada, mensalão e falcatrua. E o palhaço o quê que é? É ladrão de mulher!!! E também ladrão do dinheiro público, da vergonha na cara, e da dignidade que, um dia, lá nos idos de 1988, nos fizeram acreditar ser um direito conquistado. Bailarinas, o circo noir também tem. E não percam, hoje, a encenação da sensacional dança da pizza, estrelando: o mascote adestrado de nosso corpo de baile, o guaxinim fêmea mais gordo do globo! Logo em seguida, vocês também não podem perder o surpreendente show de trapézio dos Irmãos Ministros, será que eles caem lá de cima ou não caem? E, por fim, vocês se deliciarão com o maior espetáculo de malabarismo da Terra: petecas, propinas e votos comprados serão manuseados, para cima e para baixo, sem cair no chão! Mas atenção, crianças, estes números não devem ser repetidos em casa. Lembrem-se que nossos profissionais reelegem-se e ensaiam repetidas vezes para garantir a segurança e o brilhantismo deste show.

O circo político brasileiro é high-tech, modernizado. Ninguém quer saber de cheiro de feno, estrume e açúcar queimado. Os números de dança, riso e acrobacia, são encenados sob a lona refrigerada com ar condicionado central, poltronas fofinhas e garçom servindo de cafezinho a melão com presunto. E para quem não pode assistir à palhaçada in loco, olha a tecnologia aí: o circo vai até a sua casa, via satélite. E os componentes empavoam-se todos só de pensar que estão na televisão! Invariavelmente, os artistas protagonizam cenas repletas de falta de educação, ironia e arrogância. Mas não estranhem, é só número. Ora agridem verbalmente sorrindo, ora partem pro braço explícito berrando. Decoro para estes nossos baluartes da arte circense é mero verbo a ser conjugado, a fim de memorizar as falas de seus personagens. Os palhaços não mais são chamados de Arrepio, Espirro, Mindoim, nomes cândidos demais. Os palhaços atendem por nomes esquisitos, meio americanizados, meio gregos, como wellingtons, heráclitos, coisa de artista, o tal do "nome de guerra", como as vedetes do teatro rebolado. Diante do palco, a platéia deste espetáculo de mau gosto não sabe se chora ou se ri, de nervoso.

Infelizmente, Carequinha morreu e, com ele, foram embora a graça, a elegância, a sutileza e a delicadeza de ser palhaço. Os palhaços que temos hoje são como aqueles que envergam a cara branca, nariz vermelho e sombrancelhas negras arqueadas não para alegrar o povo, mas para assustar a criancinha. A criancinha dentro de mim sente medo dos palhaços do planalto. Ela também morde-se de revolta só de pensar que, neste ano, daremos salvo conduto para o show continuar, mesmo sem querer assisti-lo por mais uma temporada. Esta criancinha pensa que a TV Senado, a TV Câmara e os quadros trash de sua programação deveriam ser transmitidos nos confins do Nordeste, Norte e Sul e onde mais tiver gente que, obrigada pelo cabresto a dar seu voto em troca de uma bicicleta ou de um par de sapatos, vota sem saber o porquê e o que vem depois da musiquinha que toca na urna eletrônica. O que vem depois é o escárnio do coroné, de que adianta? Enquanto a criança chora, o primeiro astronauta brasileiro semeia grãos de feijão no espaço, sob aplausos. Mas a criança ainda chora, no sertão e na favela, porque falta feijão aqui na Terra. Hoje não tem marmelada, minino, cala essa boca! E calada permanece a platéia.

Publicado em 05/04/2006
por Juliana Jacyntho, em 3/22/2007 12:32:41 AM



XX encontra Elis


Mulher é um bicho complicado, é o que dizem por aí. Nos últimos dias, o dizem com ainda mais propriedade, já que até a ciência se encarregou de gastar umas horinhas de seu dia estudando as informações cromossomiais que cada uma de nós traz dentro deste emaranhado que é o nosso corpitcho humano. Conclusão a que se chegou: mulheres são geneticamente mais complicadas que os homens. O que querem os cientistas dizer com isso, valei-me Deus? Não sei ao certo, confesso. Mas chuto.

Chutaria que ser complicada é sentir aquele aperto no peito que parece querer denunciar que algo vai mal, quando, no entanto, tudo parece perfeitamente bem. Então, desenculcamos até a próxima enculcada (sensação também conhecida pelas redondezas como nóia). Ser complicada é estourar sem querer com quem está ao seu lado, talvez por não saber ao certo como lidar com aquele mau-humor que veio te visitar na última manhã. Até reconhecer que se trata de um descompasso hormonal, a bola já foi pra fora da linha de campo e nós jogadoras ficamos lá, no árduo trabalho de fazer a bola voltar para o jogo e tentar explicar para o time o porquê do chutão sem propósito.

Ser complicada é trabalhar das oito da manhã às seis da tarde, sair para a academia de ginástica logo depois, retornar ao lar lá pras nove da noite e, neste meio tempo, encontrar umas horinhas para afagos no marido, levar e pegar filho na escola, ir ao cabelereiro fazer as unhas e depilação, fazer as compras de supermercado, aparecer linda, leve e perfumada para um jantarzinho romântico e se concentrar na atmosfera de sedução, sem essa de gastar neurônios com a pauta da reunião da qual participará no escritório no dia seguinte. Ser complicada é fazer tudo isso achando lindo (independente e bela - que sucesso!), mas, ao mesmo tempo, é achar que talvez a mulherada tenha pegado pesado demais nas conquistas feitas nos últimos anos: êta acúmulo de atividades da peste! (Ser complicada é até concordar com esta última afirmação, mas nada de sair assumindo isso por aí, porque, afinal, depois de tantos avanços feministas, pegaria super mal este dicurso Amélia pós-moderno).

É complicado ser coerente o tempo inteiro. É complicado ter que ser bela, inteligente, bem sucedida, amante irrepreensível, companheira, mulher de atitude: na família e no trabalho. É complicado ser isso tudo e ainda mãe, emanadora de amor e afeto incondicionais. Não sei se previram, lá atrás, que seria tão complicado ser mulher nos dias de hoje. O fato é que é. E pronto, disso sabemos. Nem precisávamos que pesquisinha científica desocupada alguma viesse à baila para nos dizer que "assim como as mulheres são geneticamente mais complicadas que os homens, nem tudo que reluz é ouro". Faltou dizer que somos complicadas e que sabemos descomplicar como ninguém - quando queremos. Daí porque 'desopilar' seja o verbo mais conjugado. Não é a moda new age que explica o incenso e a música relaxante e a ioga: é a necessidade. Necessidade de se equilibrar na corda-bamba de sombrinha, tailleur e sapatinho de salto e bico fino. E ainda tem a pasta! E o celular que acabou de tocar e o menino no colo.

Equilibristas como as mulheres de hoje, sei não, acho que estão para existir. E os bêbados que se cuidem, porque estão prestes, prestes, a serem demitidos da música. O futuro que se aproxima é da intrépida trupe: homens e mulheres, com cobranças e expectativas a serem supridas idem, idem, se equilibrando juntos, colaborativos, na corda-bamba do dia-a-dia. Se assim for, não dou dez anos para aparecer outra pesquisa científica anunciando o já sabido: homens, pasmem, são tão geneticamente complicados quanto nós, mulheres.

Publicado em 20/03/2005
por Juliana Jacyntho, em 3/22/2007 12:19:21 AM



pequenas lições de microeconomia


Viver é como guiar um carrinho de supermercado em busca de bens essenciais à sobrevivência humana. Não só de água, coca-cola e bolachas vive o homem. Queremos amor, família, queremos trabalho, reconhecimento, queremos saídas borbulhantes com os amigos, diversão e arte e, às vezes, queremos só silêncio. Tal como as mercadorias dispostas nas prateleiras, tudo isso que queremos tem um preço. Preço baixo, preço alto, um preço a ser pago, e nem sempre em moeda corrente. Às vezes, o desejo pede o preço da despedida. Despedimo-nos de algo que prezamos muito para obter um outro algo, que prezamos mais. Ou de que necessitamos. E vai ser sempre assim.

Há quem tenha largado a rotina estabilizada para viver um grande amor na Turquia. Há quem tenha largado vinte anos de profissão solidificada para priorizar o bem-estar numa viela de beira de praia. Há quem tenha que largar o bebê na creche para comparecer linda, bela e eficiente àquela reunião que marcaram no escritório às oito da manhã.

Quando a dor de ter abandonado o cantinho familiar vier visitar, pense no amor turco que não pára de crescer. Valeu o preço pago. Quando a dúvida sobrevoar os neurônios inquirindo a razão da radical mudança de estilo de vida, pense em como você sofreu com a angina provocada pela rotina estressante daquele hospital no ano passado, e olhe para o mar azul que enfeita a frente do restaurante que você acabou de inaugurar. Valeu o preço pago. Quando, ao fim do dia, você chegar cansada do trabalho, louca para pegar o seu bebê no colo e enchê-lo de carinho, e der com ele já no berço, dormindo o sono tranquilo, e com a tia da creche à soleira da porta, toda animada para te informar que, hoje, o seu filho balbuciou a sua primeira palavrinha - e não foi mamã - pense nas contas no fim do mês que precisam ser honradas e compense as horas de ausência com outras horas de presença intensa e colo de mãe, que é um só. Terá valido o preço pago. E ele é quem te dirá isso daqui a vinte anos.

Como nos supermercados, tudo na vida tem um preço. Às vezes pagamos com mudanças, às vezes pagamos com despedidas. Sempre pagamos com decisões, umas muito bem pensadas e refletidas, outras nem tanto. No fim da jornada, ao passar pelo caixa, a única moeda que não queremos de troco é a culpa. Para tanto, é preciso sacar da carteira a moeda certa para pagamento. Amor com amor se paga. E, se o seu "bem" foi pago com amor, bom-senso e sensatez, relaxe. O troco virá na mesma moeda.

Publicado em 02/06/2006
por Juliana Jacyntho, em 3/22/2007 12:16:25 AM



Tudo Azul



A fronteira entre ser exigente e ser ridículo é tênue. Exigir bons resultados de sua equipe faz de você um chefe motivador. Cobrar a execução de minúcias inúteis, apenas perceptíveis aos seus olhos egoístas, faz de você uma mocréia ou um paspalho (nossa, usei essa palavra!), desprezível pelo grupo. No trabalho, no amor, entre amigos, na vida: motivação é a palavra de ordem para quem não tolera que o tédio entre em sua vida metendo o pé na porta.

Desmotivada, muita gente boa tende a fechar a cara, resmungar, maldizer a rotina, envergar olheiras indesejáveis. Tende a não querer acordar. E como é triste não querer acordar... Porque acordar e tomar café preto com mamão é bom. Escutar ou ler as notícias do dia é bom. Pegar seu carro, seu ônibus, seu vagão de metrô e se dirigir ao seu trabalho, à sua academia, à sua qualquer coisa, com o espírito exultante de alegria e entusiasmo, empolgado pelo encontro com colegas queridos e bate-papos que o fazem gargalhar é melhor ainda. Já seria muito bom mesmo se o encontro fosse apenas com colegas nem tão queridos assim e uma pilha de pendências que você, ao primeiro bater de olhos, desejasse trucidar com a sua melhor técnica, para, ao final, saborear o som de um parabéns bem empostado por alguém que você admira.

As ocupações diárias devem ser assim: devem ter qualquer coisa que brilhe, que enrubesça a face, que cause turbulências na boca do estômago, qualquer coisa que te faça enxergar borboletas voando. Porque só quem enxerga nuvens de borboletas coloridas consegue se lembrar do valor caro dessa sensação e, assim, faz-se forte e capaz de respirar ar de coragem para enfrentar o vôo indesejado de maribondos. Porque marimbondos às vezes aparecem na nossa rotina. E deles precisamos desviar, ou com eles lutar.

Marimbondos e outros insetos persona non grata tendem a sobrevoar nossa rotina: mas é para ser só às vezes. Se você perceber que eles estão aparecendo mais do que o normal no correr dos seus dias, e por normal entenda-se "mais do que você permite que eles apareçam", não corra: enfrente. Vale inseticida, chinelo, mangueirada. Vale bater a porta, berrar, se libertar.

Podemos até não ser felizes todos os dias, decerto não somos, ninguém é. Mas podemos - e devemos - fazer valer o direito de querer acordar, todos os dias, com o objetivo de. Para. Para querer ser feliz demais. Acordar motivados: este direito ninguém tira da gente. Ou até tira, mas não por muito tempo: não depois de notarmos que servir de alimento para sanguessugas, de fato, não é nem nunca foi nossa vocação.

Publicado em 05/11/2005
por Juliana Jacyntho, em 3/22/2007 12:12:18 AM



Palpites infelizes


Sabe a tia chata que Deus fez brotar no seio da família de cada vivente? Aquela mesma que aparecia sem avisar, se prostrava no sofá para um café que se estendia até o jantar (quando não ficava para dormir porque estava tarde), apertava o seu queixinho e alisava a sua cabeça com força, dizendo para sua mãe: como tá bonita a Carolina, né, Cleide? Nem parece aquela menina magrela que eu vi crescer! Pois é, sua tia chata diz que viu você crescer, mas parece que não viu não. Se tivesse visto, saberia que você já é uma mulher independente, sábia, madura, e que não suporta apertões ridículos no queixo ou tabefes no cabelo disfarçados de carinho. Assim como não suporta seus palpites impertinentes e peçonhentos. Antes fosse só a tia...

Há momentos na vida em que parece que constatamos que o mundo é povoado por tias chatas. Não é de hoje que monitorar a vida alheia é o esporte predileto de nove em cada dez pessoas. Pra quê gastar energia ligando a tevê para assistir à novela, se temos uma novela da vida real na casa do vizinho, não é mesmo? Fica-se, portanto, com a novela do vizinho, que proprociona diversão enquanto se assiste ao seu desenrolar e muita interatividade como bônus: o chamado palpite. Foi-se o tempo que o cargo de palpiteiro-mor pertencia apenas àquela tia chata que a gente via sazonalmente. Hoje, ao lado da tia, temos o porteiro, o colega de trabalho, o frentista, a faxineira, uma prima de sexto grau, a torcida do Flamengo e até mesmo o presidente da República, que anda sugerindo ao brasileiro que levante o traseiro para sabe-se Deus lá o quê. Todo mundo quer dar sua opinião, todos muito cheios de razão. Pára tudo.

Opinião boa é aquela dada quando pedida. Palpite bom é aquele ofertado quando solicitado. Dedo metido no bolo dos outros é muito bem-vindo: mas quando os outros te prometem uma fatia antes. Aonde foi que deixamos o bom senso? Em que momento da vida foi que esquecemos a lição de que "se não nos diz respeito, é melhor não se meter"? Sinceramente? Não sei. O palpite parece ter sido institucionalizado, virou mania nacional, esporte nº 1 dos desocupados de plantão: é a mega-sena dos relacionamentos, a Loto das bancarrotas, a raspadinha das esterilidades, a falta de respeito generalizada.

A vizinha fez trinta e cinco anos ontem e ainda não se casou? Ih, coitada, tá encalhada... dizem até que é 'entendida'. O pai do coleguinha do seu filho veio buscar o garoto com um fusca na porta da escola? Nossa, que vexame, era um empresário tão poderoso e já está à beira da falência! Sobrinha casada há mais de cinco anos que ainda não engravidou? É, que absurdo! Já falei com ela que, com essa demora, vão pensar que ela e o marido não podem ter filhos! Se nos preocupássemos mais com nossas próprias mazelas e deixássemos o outro viver as suas em silêncio, a vida seria mais bela. Viver seria mais fácil. Falta de respeito generalizada, palpites levianos infelizes que se proliferam. Nos anos 30, Noel Rosa já havia previsto esta indelicadeza, o que faz dele um visionário, o que faz de nós reféns desse caminho sem charme, sem educação e, pelo visto, sem volta.

Publicado em 03/06/2005
por Juliana Jacyntho, em 3/22/2007 12:08:00 AM



Espelho, espelho meu


Que menina não se endividou gastando os tubos que tinha (e que não tinha) por ter se apaixonado perdidamente por aquele par perfeito de sapatos bicolor? Que menina não se debateu diante do dilema: economizar para os dias vindouros ou torrar uns cents num enxovalzinho básico (leia-se: casacos, calças, jaquetas e mais casacos) para o inverno que está chegando? Que menina não se penitenciou por ter deixado de adquirir uma bolsa apaixonante antes da dita cuja sumir daquela vitrine visitada uma vez por dia?

Mulheres se esmeram na arte do adorno. É nosso. Tá no sangue. Estamos cansadas de escutar que mulher é bicho consumista. Que mulher só pensa em roupas e sapatos. Esquecem-se eles das bolsas. Estamos cansadas da máxima: para quê tantos sapatos se você só tem dois pés? Peço ajuda não aos universitários, mas sim aos nossos ancestrais para tentar entender essa relação de amor e ódio travada entre mulheres, homens, bolsos e a moda.

Não é de hoje, mas sim das cavernas, que as mulheres se enfeitam para atrair seus pares, afagar seu ego e, dizem as más linguas, eriçar a cobiça em suas rivais. O que antes eram só flores, fibras naturais em forma de vestimenta e corantes extraídos das frutas e outros vegetais, passados na face para dar aquela corzinha saudável, hoje respondem pelo nome de chanelzinho bico fino, jeans five pockets, casaquinho de tweed. Batom, gloss, sombras, muitas sombras. Rímel. Preto ou transparente. Calça pijama e t-shirt hering branca. Também podem responder pelo nome de tênis, vestidinho e jaquetinha jeans. Depende do clima. Óculos escuros!!! Rabo de cavalo, tiara, tic-tacs. Cabelos ao vento ou cabelos pra cima! Scarpins pra que te quero, tubo poderoso e pashmina, prontos para uma festa badalada. É tudo enfeite. É tudo pró-beleza, pró-satisfação (sua e do seu consorte). É tudo pró-bem-estar. Para o bem-estar. Estar bem vestida, estar bem de cabeça. Bem da cabeça aos pés.

Moda, antes de qualquer pedra atirada sobre sua faceta dita fútil-materialista, é cultura. É a mais perfeita tradução de comportamento da mulher contemporânea. Do homem contemporâneo também, não é à toa que eles andam tão interessados na arte de se vestir bem. De cheirar bem. De se apresentar bem. Sua roupa tenta dizer, antes de mais nada, quem você é, o que você pretende, a que você veio. Ainda que você não queira, é assim que funciona. Antes de você poder dizer qualquer palavra, alguém já bateu o olho nas suas vestes. De bom gosto ou não, o que é pra lá de subjetivo, elas dirão uma mensagem sobre você. Esta é espalhafatosa. Esta, básica demais. Aquela, fashion victim. Aquela outra lá tá com tudo em cima.

O mais importante nisso tudo é que, não importa o estilo adotado, se perua, se bege, se esportiva: invólucros tendem a se tornar transparentes depois de cinco minutos que adentram em cena. O que marca é o que vem dentro. O tão falado "conteúdo". O que surpreende são suas palavras, seus gestos, sua história, seu sorriso, se sincero. Estes vêm para ficar, não vão e voltam como a moda. Estes dizem realmente quem é você, não fazem apenas tentativas de dizê-lo. Vestir-se bem, tardes de liquidações neste mundo de meu Deus com as amigas, adquirir aquele casaqueto tão sonhado, acompanhado daquelas botas chiquerésimas queridas há meses: valem quanto pesam na conta bancária, valem a satisfação de ver a imagem desejada refletida no espelho. Despir-se das suas próprias embalagens e encontrar a satisfação bem lá dentro do peito: definitivamente, não tem preço.

Maio de 2005
por Juliana Jacyntho, em 3/22/2007 12:03:28 AM



Assim como nosso organismo pede tempo para digerir um pedaço qualquer de carne, também nós precisamos de tempo para processar os fatos que a vida nos impõe goela abaixo.
por Juliana Jacyntho, em 3/3/2007 11:28:51 PM



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