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Idéia de ouro


Se você quer ser feliz, não case, disse o meu professor de arquitetura organizacional numa de muitas de suas elucubrações no meio do curso. Fiquei esperando. Se você quer ser feliz não case, case se você quer fazer o outro feliz, completou o professor. Hão bom, pensei cá comigo, casamento até pode ter cena de choro, mas é comédia romântica com final feliz. Casamento é generosidade, é se doar e abrir mão, é medir palavras e estar disposto e à disposição. Mas não muito, tudo ao alcance demais da mão recebe um quê de vulgar, comum e ordinário, temos que nos doar até a medida do continuar vivendo com o brilho, a graça e o mistério da individualidade. Equilíbrio de sombrinha porque não é fácil, mas a gente tenta, casamento é emoção e desafio.

Querer fazer o outro feliz é muito mais nobre, é altruísta, é bem bacana. Mas no fundinho e no frigir dos ovos matrimoniais, queremos sim ser felizes também, queremos expectativas atendidas, padrões idealizados implementados, esta chatice toda do conto de de fadas moderno, e é nesta cena que entra o desafio. Ninguém veio ao mundo para suprir expectativas de ninguém. Aliás, se a natureza fosse mais sábia, nasceríamos com um chip que impedisse ocorrências maléficas tais como ansiedade, expectativa, idealizações principescas e cobranças tolas, porque se há fertilizante mais potente para a insatisfação que estes quatro mosqueteiros eu estou para vê-lo nascer. Por isso um ser provido de sabedoria veio com esta sacação de que a felicidade no casamento é fazer o outro feliz e não ficar esperando, encastelada, que os seus desejos sejam atendidos, ó mestre! Ora, ora, felicidade é via de mão dupla, a gente constrói um duto e, em perfeita sintonia, quem a gente ama constrói outro, pelo qual também se doa, fazendo a felicidade fluir, de um lado pro outro, recíproca amada e verdadeira.

Pra não perder o gancho corporativo do início dessa prosa, devo dizer que é muito melhor se empenhar, ser pró-ativo, ter postura hands-on no amor e na arte de fazer feliz quem você escolheu para viver junto do que ficar esperando o trem passar como se o único passageiro na plataforma da estação fosse você. A perspectiva de satisfação, trazida por muita gente boa, de que é sentado no sofá esperando ser agradado que se constrói a felicidade, na solteirice ou no casamento, prestigia uma ética do egoísmo que só se coaduna com os coronéis do Brasil colônia. Somos representantes de uma geração mais evoluída e podemos fazer melhor que isso. Podemos viver para promover a alegria em todos os dias daquele a quem demos a mão para caminhar juntos para sempre, sem pretensão, só por amor, só pelo ideal de paz e de vida boa, leve e simples, em comum, a que nos comprometemos a perseguir. Isso é mesmo felicidade. Taí a tônica. Rumo às Bodas de Ouro.
por Juliana Jacyntho, em 11/9/2007 12:46:03 AM





Socorro!


Mais uma mudança de casa para o currículo. A nona, e a décima já está programada para março. Ótimo, mesmo porque, como sempre digo, "quem fica parado é poste! Gente é para se mexer." De fato. Mas mudança também tem a sua parte dolorida. Aquela de deixar para trás alguns objetos, um ninho gostoso, momentos bons vividos no local que se deixa e que passam a figurar como uma boa lembrança na memória e uma boa história para contar. Ainda bem. Gente precisa ter história pra contar. Boas histórias pra contar. Ótimas lembranças. Se viver não fosse sobre isso, o que seria então? That's what it is all about!!! Movimento. Energia. Mudança. Sacudir a Poeira. Adaptação. Stress. Calmaria. Começar e recomeçar. Isso pra mim é viver.
por Juliana Jacyntho, em 11/4/2007 11:28:26 AM



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