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black bando


Sou flamengo e por enquanto ainda não tenho uma nega chamada Teresa. Um dia, se ela quiser vir, minha Thereza virá quase-neguinha, um café com leite bem dosado em atenção à brancura genética do pai, e com Th e z. Teresa ou Thereza à parte, sou flamengo, rubro-negra, urubu, do tipo que teve a infância rodada na década de oitenta e acha o Zico tudo de bom. Do tipo que já envergou camisa de time nas segundas vitoriosas no pilotis da faculdade, camisas estas que ficaram espalhadas pelo quarto de solteira na casa da mãe. Flamenguista do tipo que se arrepia do dedão do pé às pontas por vezes duplas dos fios de cabelo, quando pisa no Maracanã lotado em dia não só de Fla-Flu, confesso, mas também de um Fla-Olaria com a mesma emoção e ardor e admiração conferidos a um grand clássico carioca. Fecha a cena e corta para o segundo parágrafo.

Na vida, tem gente que brilha e tem gente que tenta. Tem gente que não percebe que brilha, so natural que é a camada de "glitter eterno de uma mente com muitas boas lembranças", e tem aquele que percebe que ofuscar o cintilante existir alheio, ora, ora, é o elixir seu de cada dia. Na vida, pois bem, tem lugar e hora para cada um acontecer, desde o mais generoso ao mais mesquinho ser errante. Gente que brilha e gente que vive à sombra. Gaivotas e urubus. E o problema é que este urubu não tem parentesco nenhum com o mascote descrito no primeiro parágrafo desta prosa... Reina absoluta a mesquinharia em estado bruto.

Enquanto esquece-se de agilizar o seu lado, o homem mesquinho vive de butuca na vida alheia: do outro quer os ganhos e conquistas, o sapato e a calcinha, o cabelo e o anel. Ao contrário de Narciso, o ser mesquinho ama o outro e não o espelho, a quem ele acha feio. Flerta com a inveja e o despeito. Falta-lhe amor próprio, aceitação, auto-conhecimento, falta-lhe um divã que o valha, pobre diabo. Enquanto a mesquinharia habita os porões da cabecinha torta, o corpitcho sai rua afora apontando a feiúra distorcida em tudo o que o rodeia, num efeito midas reverso: tocou, não vira ouro, mas sim apodrece aos seus olhos. A grama do vizinho é e sempre será mais verde, felpuda, cheirosa, e até as formigas que lá habitam serão as mais bonitas, magrinhas e elegantes. Quanta pobreza.

Gente assim cansa. Me cansa, te cansa, cansa aos que, por mero descuido, cruzam por seu caminho e ousam chamar a sua atenção acendendo um fósforo de luz qualquer quanto ao jeito de falar, de andar, de se vestir, de se perceber, de existir. Um homem mesquinho não conhece generosidade no seu coração. Não se doa, não se entrega, não reparte, não divide, não convive. Não se ama, não se aceita, não se admira. Se arrasta acompanhando paradigmas que ele elege como padrões a serem seguidos como se fossem novelas sagradas. Porém, ah porém, há sim um tico de generosidade no coração do homem mesquinho: é que, como a mesquinharia tem uma necessidade vital de exteriorizar-se, para cada coração mesquinho, pode contar, haverá sempre uma boca fofoqueira generosa demais. No frigir dos ovos, a mesquinharia e a fofoca estão para o espírito assim como o fim do mês está para o saldo da minha conta corrente: ambos são razões frontalmente determinantes de pobreza. Pobreza financeira de um lado, pobreza de espírito de outro. Escolha o seu lado, feel free, cada um na sua.
por Juliana Jacyntho, em 3/24/2009 11:08:33 PM





Não vai ficar mais em branco.
Voltei.
Voltou.
Tudo preto noir bem chique e colorido de todo, bem alegre, com bolinhas brancas, coisa fofa.
A mistura de sempre que reintegrou-se na posse deste blog, pondo pra fora o branquinho neutramente irritante ou irritantemente neutro.
Branco reflete o silêncio sim. Mil possibilidades. A primeira e mais óbvia é a de voltar a ser tudo muito colorido, aqui, agora, ao mesmo tempo, tipo dá licença que tenho que passar. De novo.
por Juliana Jacyntho, em 3/24/2009 10:32:24 PM



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